sexta-feira, 5 de setembro de 2014
sexta-feira, 29 de agosto de 2014
Boémio Demodê
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Vou fazer uma seresta,
Moderninha como quê,
Misturar os tratamentos,
Juntar o tú com você,
Eu não quero que me chamem,
Um boêmio demodê.
Com acordes dissonantes,
Sem marquise e sem calçada,
Sem culto de mulher amada,
Na penumbra do balcão,
Seresta ultra moderna,
Sem viola e violão.
Minha seresta,
Não terá pinga na rua,
Não terá luar nem lua,
E nem lampião de gás,
Porque a lua,
Nesses tempos agitados
Já não é dos namorados,
Romantismo não tem mais.
Minha seresta,
Nesta era espacial,
Vai se tornar imortal,
Na voz daquele ou daquela,
Minha seresta,
Vai ganhar placa de bronze,
Pois nem mesmo apolo onze,
É mais moderno que ela.
(Nelson Gonçalves)
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quinta-feira, 21 de agosto de 2014
VÊM...
sábado, 16 de agosto de 2014
PASSADO!!!!
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"Contei meus anos e descobri
Que terei menos tempo para viver do que já tive até agora Tenho muito mais passado do que futuro Sinto-me como aquele menino que recebeu uma bacia de jabuticabas As primeiras, ele chupou displicentemente Mas, percebendo que faltam poucas, rói o caroço.
Já não tenho tempo para lidar com mediocridades
Inquieto-me com os invejosos tentando destruir quem eles admiram Cobiçando seus lugares, talento e sorte Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas As pessoas não debatem conteúdo, apenas rótulos Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos Quero a essência... Minha alma tem pressa Sem muitas jabuticabas na bacia Quero viver ao lado de gente humana, muito humana Que não foge de sua mortalidade Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade." |
sexta-feira, 8 de agosto de 2014
sexta-feira, 1 de agosto de 2014
O BEIJO...
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«Não te beijo e tenho ensejo Para um beijo te roubar; O beijo mata o desejo E eu quero-te desejar.» Sabendo que deves ter Milhões deles p'ra me dar, Teria que enlouquecer Para um beijo te roubar. E como em teus lábios puros, Guardas tudo quanto almejo, Doutros desejos futuros O beijo mata o desejo. Roubando um, mil te daria; O que não posso é jurar Que não te aborreceria, E eu quero-te desejar! António Aleixo, in "Este Livro que Vos Deixo..." |
sexta-feira, 25 de julho de 2014
O CANSAÇO
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Cansaço
O que há em mim é sobretudo cansaço — Não disto nem daquilo, Nem sequer de tudo ou de nada: Cansaço assim mesmo, ele mesmo, Cansaço. A subtileza das sensações inúteis, As paixões violentas por coisa nenhuma, Os amores intensos por o suposto em alguém, Essas coisas todas — Essas e o que falta nelas eternamente —; Tudo isso faz um cansaço, Este cansaço, Cansaço. Há sem dúvida quem ame o infinito, Há sem dúvida quem deseje o impossível, Há sem dúvida quem não queira nada — Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles: Porque eu amo infinitamente o finito, Porque eu desejo impossivelmente o possível, Porque quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser, Ou até se não puder ser... E o resultado? Para eles a vida vivida ou sonhada, Para eles o sonho sonhado ou vivido, Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto... Para mim só um grande, um profundo, E, ah com que felicidade infecundo, cansaço, Um supremíssimo cansaço, Íssimno, íssimo, íssimo, Cansaço... Álvaro de Campos, in "Poemas" |
sexta-feira, 18 de julho de 2014
Da Mais Alta Janela da Minha Casa''
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Da Mais Alta Janela da Minha Casa''
Da mais alta janela da minha casa
Com um lenço branco digo adeus
Aos meus versos que partem para a Humanidade.
E não estou alegre nem triste.
Esse é o destino dos versos.
Escrevi-os e devo mostrá-los a todos
Porque não posso fazer o contrário
Como a flor não pode esconder a cor,
Nem o rio esconder que corre,
Nem a árvore esconder que dá fruto.
Ei-los que vão já longe como que na diligência
E eu sem querer sinto pena
Como uma dor no corpo.
Quem sabe quem os terá?
Quem sabe a que mãos irão?
Flor, colheu-me o meu destino para os olhos.
Árvore, arrancaram-me os frutos para as bocas.
Rio, o destino da minha água era não ficar em mim.
Submeto-me e sinto-me quase alegre,
Quase alegre como quem se cansa de estar triste.
Ide, ide de mim!
Passa a árvore e fica dispersa pela Natureza.
Murcha a flor e o seu pó dura sempre.
Corre o rio e entra no mar e a sua água é sempre a que foi sua.
Passo e fico, como o Universo.
Alberto Caeiro
(heterónimo de Fernando Pessoa)
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sexta-feira, 11 de julho de 2014
ATRAVESSAR CONTIGO O DESERTO.
Para Atravessar Contigo o Deserto do Mundo
Para atravessar contigo o deserto do mundo
Para enfrentarmos juntos o terror da morte
Para ver a verdade para perder o medo
Ao lado dos teus passos caminhei
Por ti deixei meu reino meu segredo
Minha rápida noite meu silêncio
Minha pérola redonda e seu oriente
Meu espelho minha vida minha imagem
E abandonei os jardins do paraíso
Cá fora à luz sem véu do dia duro
Sem os espelhos vi que estava nua
E ao descampado se chamava tempo
Por isso com teus gestos me vestiste
E aprendi a viver em pleno vento
(Sophia de Mello Breyner Andresen)
sexta-feira, 4 de julho de 2014
LENDA DA SERRA DA ESTRELA
LENDA DA SERRA DA ESTRELA
Era uma vez um pastor que vivia com o seu rebanho numa alta serra do centro de Portugal. Como todos os pastores, fazia da solidão uma amiga. A companhia da natureza e dos animais bastavam-lhe. Há muito tempo que tinha trocado a aldeia pelos altos e grandes prados, onde sempre se tinha sentido melhor. De dia, corria e brincava com os animais e, quando já estava cansado, então via apenas. Observava a vastidão e o colorido de uma paisagem sempre a mudar,
Já lhe conhecia bem as maneiras, os sons e os cheiros. E à noite, recolhido o rebanho ainda lhe sobrava tempo para falar de tudo o que lhe apetecia com a sua grande amiga. Era mesmo grande aquela estrela que se erguia imponente e luminosa bem acima do alto da serra, rodeada por milhares de outras mais pequenas. Era a sua confidente de todas as noites. Ouvia-o sem nunca se aborrecer. E ele voltava sempre à procura daqueles momentos mágicos em que encontrava paz e entusiasmo para recomeçar um novo dia. Certa vez, chegou aos ouvidos do Rei que nas suas terras havia um pastor que falava com as estrelas e logo, por curiosidade ou inveja, o mandou chamar à sua presença, propondo-lhe que trocasse a estrela falante por uma grande riqueza. Afinal de contas, não era qualquer rei que se podia gabar de falar com uma estrela.
O pastor disse-lhe então que não trocaria a sua amiga por riqueza alguma deste mundo. Antes ser pobre e continuar feliz.
Desapontado, mas compreendendo as suas razões, o rei, mandou-o em paz.
Quando chegou à cabana no alto da serra, mal anoiteceu, foi ter com a sua amiga estrela e, dessa vez, foi ela a confessar-lhe os seus receios. Entoando uma doce melodia, disse-lhe que, por momentos, chegou a pensar que ele a tivesse trocado pelo dinheiro do poderoso rei. Foi a vez do pastor a sossegar, dizendo-lhe que a sua amizade era para ele a mais preciosa das coisas e, em alta e profética voz, deu o seu nome àquela que era também a sua serra: Serra da Estrela.
Ainda hoje se diz que na Serra, uma estrela diferente das outras brilha à procura do seu pastor.
Publicada por Helena
LENDAS DE PORTUGAL
sexta-feira, 20 de junho de 2014
sexta-feira, 13 de junho de 2014
QUE TEXTO...
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Que texto.. Aprendi que Amores eternos podem acabar em uma noite. Que grandes amigos podem se tornar grandes inimigos. Que o amor sozinho não tem a força que imaginei. Que ouvir os outros é o melhor remédio e o pior veneno, Que a gente nunca conhece uma pessoa de verdade, afinal, gastamos uma vida inteira para conhecer a nós mesmos. Que os poucos amigos que te apoiam na queda, são muito mais fortes do que os muitos que te empurram. Que o "nunca mais" nunca se cumpre, que o "para sempre" sempre acaba. Que minha família com suas mil diferenças, está sempre aqui quando eu preciso. Que ainda não inventaram nada melhor do que colo de Mãe desde que o mundo é mundo. Que vou sempre me surpreender, seja com os outros ou comigo. Que vou cair e levantar milhões de vezes, e ainda não vou ter aprendido TUDO." Estamos aqui de passagem.. William Shakespeare |
quinta-feira, 5 de junho de 2014
BONS AMIGOS...
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Bons Amigos
Machado de Assis
Abençoados os que possuem amigos, os que os têm sem pedir. Porque amigo não se pede, não se compra, nem se vende. Amigo a gente sente! Benditos os que sofrem por amigos, os que falam com o olhar. Porque amigo não se cala, não questiona, nem se rende. Amigo a gente entende! Benditos os que guardam amigos, os que entregam o ombro pra chorar. Porque amigo sofre e chora. Amigo não tem hora pra consolar! Benditos sejam os amigos que acreditam na tua verdade ou te apontam a realidade. Porque amigo é a direção. Amigo é a base quando falta o chão! Benditos sejam todos os amigos de raízes, verdadeiros. Porque amigos são herdeiros da real sagacidade. Ter amigos é a melhor cumplicidade! Há pessoas que choram por saber que as rosas têm espinho, Há outras que sorriem por saber que os espinhos têm rosas!
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sexta-feira, 30 de maio de 2014
CANÇÃO DA TERRA
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Tudo aconteceu num certo dia
Hora de Ave Maria o universo vi gerar No princípio o verbo se fez fogo Nem atlas tinha o globo Mas tinha nome o lugar Era terra, terra E fez, o criador, a natureza Fez os campos e florestas Fez os bichos, fez o mar Fez por fim, então, a rebeldia Que nos dá a garantia Que nos leva a lutar Pela terra, terra Madre terra nossa esperança Onde a vida dá seus frutos O teu filho vem cantar Ser e ter o sonho por inteiro Ser sem-terra, ser guerreiro Com a missão de semear À terra, terra Mas apesar de tudo isso O latifúndio é feito um inço Que precisa acabar Romper as cercas da ignorância Que produz a intolerância Terra é de quem plantar À terra, terra Canção da Terra O Teatro Mágico. |
sexta-feira, 23 de maio de 2014
ANJO DO AMOR
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| (PINTURA DA NET) Anjo do Amor Na luz se banha o anjo na luz que teima o corpo do anjo molhar salpica beijos de luzes no anjo talvez seja esta sua única maneira de amar. Irradiam no anjo as gotas de pura alegria quando um leito prateado de espumas e risos envolvem o anjo como a um mar indeciso que rugem refulgem em espumas do amar. Suspira meu anjo na luz que irradias expulsas o escuro das noites para outro lugar no céu as estrelas são lindas melodias na alma do anjo floresce eterno sonhar. Talvez uma lágrima surja de repente são aguas da chuva cheirosos jasmins porque se as lágrimas tornarem-se ausentes morrerão de sede as flores de todos os jardins A.D.. |
quinta-feira, 15 de maio de 2014
domingo, 4 de maio de 2014
MINHA MÃE!!!!
MINHA MÃE
MINHA MÃE
TENHO TANTAS SAUDADES DE TI
E DOS QUINZE ANOS QUE CONVIVEMOS.
FORAM POUCOS. MAS TÃO INTENSOS
QUE AINDA TENHO
NO CORAÇÃO DA MEMÓRIA
A TERNURA DAS TUAS PALAVRAS.
A TUA SUAVIDADE ERA ENORME
E AS TUAS HISTORINNHAS
TINHAM UM VALOR INESGOTÁVEL,
ERAM UMA DELÍCIA TENTADORA.
SÁBIA NOS TEUS CONSELHOS
E NA TUA FORMA DE ESTAR,
IMITEI O QUE ME FOI POSSÍVEL
MAS NÃO TE CONSEGUI IGUALAR.
PORÉM, NÃO ME ESQUECI DA TUA ROSA.
MINHA MÃE
VEM
VEM TER COMIGO
NÃO IMPORTA OS ANOS QUE EU TENHA,
DÁ-ME O TEU COLO
COMO SE EU VOLTASSE A SER
A TUA MENINA
PARA A MINHA MÃE
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sexta-feira, 25 de abril de 2014
O TEU NOME...
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De paixão e de música. Louco relógio que canta mortas horas antigas. Eu pronuncio teu nome, nesta noite escura, e teu nome me soa mais distante que nunca. Mais distante que todas as estrelas e mais dolente que a mansa chuva. Amar-te-ei como então alguma vez? Que culpa tem meu coração? Se a névoa se esfuma, que outra paixão me espera? Será tranqüila e pura? Se meus dedos pudessem desfolhar a lua!! Tradução: William Agel de Melo |
sexta-feira, 18 de abril de 2014
SE AMANHA SENTIRES SAUDADES...

Tu és jovem...
Atender a quem te chama é belo Lutar por quem te rejeita è quase chegar a perfeição.
A juventude precisa de sonhos e se nutrir de lembranças assim como o leito dos rios precisa da água que rola...
O coração necessita de afecto.
Não faças do amanhã o sinònimo de nunca
Nem o ontem seja o mesmo
Que nunca mais teus passos parem e não olhes para trás Mas vai em frente
Pois há muitos que precisam
Que chegues para poderem seguir-te.
quinta-feira, 10 de abril de 2014
AS MÃOS...
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As mãos
Com mãos se faz a paz se faz a guerra.
Com mãos tudo se faz e se desfaz. Com mãos se faz o poema – e são de terra. Com mãos se faz a guerra – e são a paz.
Com mãos se rasga o mar. Com mãos se lavra.
Não são de pedras estas casas mas de mãos. E estão no fruto e na palavra as mãos que são o canto e são as armas.
E cravam-se no Tempo como farpas
as mãos que vês nas coisas transformadas. Folhas que vão no vento: verdes harpas.
De mãos é cada flor cada cidade.
Ninguém pode vencer estas espadas: nas tuas mãos começa a liberdade
MANUEL ALEGRE.
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