EU DIGO:

SERÃO SEMPRE BEM-VINDOS AO MEU ESPAÇO.
MUITO OBRIGADA PELA VOSSA VISITA

.

sexta-feira, 28 de julho de 2017

RECADO....


RECADO
Se eu morrer longe,
sepulta-me no mar
dentro das algas ignorantes 
e lúcidas.

Cobre o meu rosto de palavras
antigas
e de música.
Deixa em meus dedos
a memória mais recente
de outras coisas inúmeras
e nos meus cabelos
o incerto movimento
do vento e da chuva.
Eu vogarei sob as estrelas
com pálidas luzes entre os cílios
e pequenos caramujos
entrarão nos meus ouvidos.
Estarei assim idêntica
a todos os motivos.
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Glória de Sant'Anna, in Música Ausente

SUBLINHO
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domingo, 23 de julho de 2017

Á BEIRA MAR!!!!!

À beira de que mar
Nos encontrámos já?
Corrias a apanhar
Conchas à beira-mar.
Eu vi-te e não te amei,
Não me amaste, também...
Então porque é que eu sei
Que à beira-mar te amei?
Dá-me as mãos. Sei bem
Que já te tive as mãos
Nas minhas. Houve alguém
Connosco então? E quem?
Pudera! O coração
Conhece mais que nós
Quando virá o perdão
Ao nosso amor de então?
(Fernando Pessoa)

sexta-feira, 14 de julho de 2017

POEMA DA DESPEDIDA!!!



POEMA DA DESPEDIDA

MIA COUTO 

Não saberei nunca 
dizer adeus

Afinal,
só os mortos sabem morrer

Resta ainda tudo,
só nós não podemos ser

Talvez o amor,
neste tempo,
seja ainda cedo

Não é este sossego
que eu queria,
este exílio de tudo,
esta solidão de todos

Agora
não resta de mim
o que seja meu
e quando tento
o magro invento de um sonho
todo o inferno me vem à boca

Nenhuma palavra
alcança o mundo, eu sei
Ainda assim,
escrevo

domingo, 2 de julho de 2017

ARIDEZ!!!!


Aridez
Perdi-me no mundo
Num mundo as avessas
Saí num segundo
Por poetas travessas
Ao ver me perdido
Tristonho e sem norte
Meu corpo ferido
Esvaiu-se na sorte
Segui pela estrada
Buscando saída
Uma alma penada
Perdida na vida
No meu rumo incerto
Silente, sózinho,
Do longe fiz perto
Trilhei meu o caminho
Errante, à deriva,
Que triste sentir
Minha alma ferida
Não quer desistir
E vi num rochedo
Tão frio e sem cor,
Surgir sem ter medo
A mais linda flor
Um grito, um apelo;
Sorri de contente
Um quadro tão belo
Surgiu-me na frente
Corri confiante;
Quem sabe, algum dia
Regresse num instante
A paz e a harmonia
José Sepúlveda