EU DIGO:

SERÃO SEMPRE BEM-VINDOS AO MEU ESPAÇO.
MUITO OBRIGADA PELA VOSSA VISITA

.

quarta-feira, 27 de março de 2013

UMA LÁGRIMA SE SOLTA....



Uma lágrima se solta num gemido de  violinos


Dormes. Por dentro da luz ténue de silêncios

finos, silenciados na concha tumular que cobre

todas as pedras desalinhadas da calçada.


Hoje caminho na Avenida. Piso a passos precisos
os trilhos por onde tantas vezes viajaste
sózinho dentro de mim. E sozinha em ti,
perdida num labirinto e nebulosa esmaecida
teima em perpetuar-se à minha frente.
Persistente, a lágrima cristalizada se solta,
rola extemporânea. Avança, morde e beija a boca.
Tem o sabor salgado da Saudade e, contudo,
liberta, traz-me de regresso à realidade.

Refulgentes, os raios iluminados da manhã,
traçam nos paralelepípedos novos desenhos
constelados. Das ruas pardacentas,
aos poucos, a espasmos, a Primavera brota.
Estrangula o vazio e a melancolia nostálgica.
Emerge em sons de violinos. Eternas sintonias Genésicas.
Na igreja em frente, toca o sino.
As ruas recobrem-se, serenas, com as cores
brancas do Seu manto Divino.
___    
Publicado originalmente em Luso-Poemas e Recanto das Letras

AUTOR DESCONHEÇIDO


domingo, 24 de março de 2013

Minha voz ficou presa...

Minha voz ficou presa
No pranto que não tive
Lavo-me em lágrimas
Pela tua indiferença

Navego no meu Veleiro de mil cores
Despejo as lágrimas da desilusão
No Mar da minha esperança

Por mares turbulentos naveguei
Enfrentei tempestades, e adamastores
Ancorarei em porto seguro
O meu Veleiro de mil cores

Pegarei seu leme,
Desfraldarei suas velas
Navegarei por mares revoltos
Deixarei que ventos e marés
O levem ao cais…
Da minha esperança.

Gil Moura 
Imagem da Net

sexta-feira, 22 de março de 2013

SOU UMA MULHER....

Sou uma mulher madura
Que às vezes anda de balanço
Sou uma criança insegura
Que às vezes usa salto alto
Sou uma mulher que balança
Sou uma criança que atura

Martha Medeiros



segunda-feira, 18 de março de 2013

SER CRIANÇA!!



Ser criança

Sinto falta de correr descalço em busca de magia
Sinto faltar de olhar todas as pessoas como iguais
Sinto falta de abraçar minha família
Sinto falta de chorar mesmo sentindo a pequena dor possível,

Sinto falta de olhar para o horizonte
E me imaginar como alguém especial diante do mundo,
Sinto falta de sonhar acordado comendo qualquer besteira,
Sinto falta de esquecer do futuro e viver o presente,

Sinto falta de subir na mais alta árvore
E sentir a liberdade diante da mais pura ilusão,
Sinto falta de dizer tudo que eu pensava sem medo
Sinto falta de mim, sinto falta de ser criança.


quinta-feira, 14 de março de 2013

OS AMIGOS!!


OS AMIGOS
Os amigos

Esses estranhos que nós amamos
e nos amam
olhamos para eles e são sempre
... adolescentes, assustados e sós
sem nenhum sentido prático
sem grande noção da ameaça ou da renúncia
que sobre a luz incide
descuidados e intensos no seu exagero
de temporalidade pura

Um dia acordamos tristes da sua tristeza
pois o fortuito significado dos campos
explica por outras palavras
aquilo que tornava os olhos incomparáveis

Mas a impressão maior é a da alegria
de uma maneira que nem se consegue
e por isso ténue, misteriosa:
talvez seja assim todo o amor

José Tolentino de Mendonça
De Igual Para Igual

terça-feira, 12 de março de 2013

UM DESABAFO.




                      


Por Joaquim Letria
A REDUÇÃO das reformas e pensões são as piores, mais cruéis, e moralmente mais criminosas, das medidas de austeridade a que, sem culpa nem julgamento, fomos condenados pelo directório tecnocrático que governa o protectorado a que os nossos políticos reduziram Portugal.

Para os reformados e pensionistas, o ano de 2013 vai ser ainda pior do que este 2012. Os cortes vão manter-se ou crescer e, com o brutal aumento de impostos, a subida dos preços dos combustíveis, do gás e da electricidade, e o encarecimento de muitos bens essenciais, o rendimento disponível dos idosos será ainda menor.

Os aposentados são indefesos. Com a existência organizada em função dum determinado rendimento, para o qual se prepararam toda a vida, entregando ao Estado o estipulado para este fazer render e pagar-lhes agora o respectivo retorno, os reformados não têm defesa. São agora espoliados e, não tendo condições para procurar outras fontes de rendimento, apenas lhes resta, face à nova realidade que lhes criaram, não honrar os seus compromissos, passar frio, fome e acumular dívidas.

No resto da Europa, os velhos viram as suas reformas não serem atingidas e, em alguns casos, como sucedeu, por exemplo, em Espanha, serem até ligeiramente aumentadas. Portugal não é país para velhos. Os políticos devem pensar que os nossos velhos já estão mortos e que, no fim de contas, estamos todos mal enterrados...

OS MONSTROS DE PORTUGAL !

AI SE PASSOS COELHO FOSSE HONESTO !

SE Passos Coelho começasse por congelar as contas dos bandidos do seu partido que afundaram o país, era hoje um primeiro ministro que veio para ficar.



Se Passos Coelho congelasse as contas dos offshore de Sócrates que apenas se conhecem 380 milhões de euros ( falta o resto) era hoje considerado um homem de bem.

Se Passos Coelho tivesse despedido no primeiro dia da descoberta das falsas habilitações o seu amigo Relvas, era hoje um homem respeitado.

Se Passos Coelho começasse por tributar os grandes rendimentos dos tubarões, em vez de começar pela classe média baixa, hoje toda a gente lhe fazia um vénia ao passar.

Se Passos Coelho cumprisse o que prometeu, ou pelo menos tivesse explicado aos portugueses porque não o fez, era hoje um Homem com H grande.

Se Passos Coelho, tirasse os subsídios aos políticos quando os roubou aos reformados, era hoje um homem de bem. Se Passos Coelho tivesse avançado com o processo de Camarate, era hoje um verdadeiro Patriota.

Se Passos coelho reduzisse para valores decimais as fundações e os observatórios, era hoje um homem de palavra. Se Passos Coelho avançasse com uma Lei anti- corrupção de verdade doa a quem doer, com os tribunais a trabalharem nela dia e noite, era já hoje venerado como um Santo.

...etc etc etc.

MAS NÃO !!!!

PASSOS COELHO É HOJE VISTO COMO UM MENTIROSO, UM ALDRABÃO, UM YES MAN AO SERVIÇO DAS GRANDES EMPRESAS, DA SRª MERKEL, DE DURÃO BARROSO, DE CAVACO SILVA,MANIPULADO A TORTO E A DIREITO PELOMAIOR VIGARISTA DA HISTÓRIA DAS FALSAS HABILITAÇÕES MIGUEL RELVAS, E UM ROBOT DO ROBOT SEM ALMA E CORAÇÃO, VITOR GASPAR.

segunda-feira, 11 de março de 2013

sexta-feira, 8 de março de 2013

Se eu morrer amanhã!


Se eu morrer amanhã
Não me deem elogios que não mereço
Nem flores que nunca recebi
Tampouco lembranças que não tenham
Não me tragam lágrimas que não sintam
Mensagens que nunca me enviaram
Cartas de amor que não me deram
Não me entreguem afagos que jamais vivi
Palavras de amor que não me disseram
Preces e amizade que não me dedicaram
Beijos que minha boca não conheceu
Prazeres de que não compartilhei
Guardem nos corações em que não entrei
Não inventem histórias comigo, se me excluíram
Rechaço abraços que me sonegaram
Rejeito gestos ternos que me recusaram
Deem sorrisos ao meu rosto pálido
Cantigas alegres ao meu redor
Comam, bebam e dancem
Celebrem a minha morte!
Enquanto me divirto com o patético cerimonial
De quem não compartilhou da minha história
Mas alega saudade do que não viveu
A quem não experimentou a alegria
De participar da minha vida
Não permito que chore no meu funeral
Vou rir em silêncio, enquanto minha alma vaga
E retorna ao colo da Mãe que me gerou,
Agradecendo a indiferença e a incompreensão
O que fui nesta vida
Não se esgota com a minha partida.
Eu sou e sempre serei
Permaneço na memória dos meus afetos
E na imensidão do desafio de viver,
Ainda que morra
Se é que vou morrer um dia
Pois, essencial e insubstituível,
Sou imorredoura, eterna, imortal
Para quem ousou me conhecer
E, apesar disso, conseguiu me amar
(Vera Pinheiro)

Imagem da net

quarta-feira, 6 de março de 2013

Fresco no Palácio de Justiça de Seia (1966)


Fresco no Palácio de Justiça de Seia (1966)


Torneio dos Doze de Inglaterra

(Fotografia obtida em obras-de-arte-em-seia)



(Estudo)

(Antes da partida para Inglaterra,
os doze cavaleiros portugueses reuniram-se em Seia)

Descrição:
(in Os Lusíadas contados às crianças e lembrados ao povo,
adaptação em prosa de João de Barros – Livraria Sá da Costa)

    "Iam os nossos portugueses, nesse momento, descansados e bem dispostos.
    E tão descansados, tão descuidados dos possíveis perigos, que o nosso conhecido Veloso, marinheiro engraçado e esperto, a pedido dos seus companheiros começou a contar, para os distraír, a famosa história de Magriço ou dos «Doze de Inglaterra». Encostado à amurada do navio, à luz das estrelas, e enquanto a frota cortava as ondas serenas, Veloso falava, alegremente. E dizia:
    «No tempo de D. João I, quando o reino de Portugal já estava sossegado e liberto dos espanhóis, deu-se na Inglaterra uma grande questão entre doze damas e doze cavaleiros.
    «Tanto se envenenou essa questão, que por fim os cavaleiros declararam que as damas nem o nome de damas mereciam.
    «Grande injúria, já se sabe, injúria que elas não podiam perdoar. Mas não ficou aí o feio caso! Mais afirmaram os fidalgos ingleses que se alguém quisesse defender as damas do insulto recebido, ali estavam todos para matar com lança e espada os audaciosos que a tal se atrevessem.
    «E a verdade é que, entre os seus compatriotas, nenhum se atreveu a aceitar o desafio, receosos da valentia, da importância e do nome que tinham os cavaleiros insultadores...
    «As pobres damas, coitadas! choravam e maldiziam a sua triste sorte!
    «Não sabendo como se poderiam vingar da ofensa recebida, foram pedir conselho e ajuda ao Duque de Lencastre, guerreiro inglês que tinha combatido com os portugueses contra Castela, e cuja filha, D. Filipa, casara com D. João I.
    «O Duque de Lencastre, logo lhes aconselhou que chamassem cavaleiros da nossa terra para as desagravar, tanta ousadia, boa educação e coragem tinha conhecido e apreciado nos portugueses.
    «E indicou-lhes imediatamente o nome de doze bravos, seus amigos de Portugal, capazes de combaterem e morrerem por elas.
    «Mandam as senhoras inglesas um emissário a Lisboa, trazendo cartas de cada uma das damas par a cada um dos nossos valentes portugueses.
    «Chegam as cartas, com a notícia espantosa. E tanta indignação causou entre nós a conduta dos doze ingleses, que até o Rei D. João I desejava ir castigá-los...
    «Mas o Rei é o Rei: - tem de governar o seu povo, e não sai da sua terra quando lhe apetece...
    «Arma-se um navio no Porto e embarcam nele os fidalgos lusitanos.
    «Mas só onze, embarcaram. O mais valente, chamado Magriço, decidiu ir por terra, prometendo, no entanto aparecer no momento próprio. Queria dar o seu passeio, antes de chegar a Inglaterra.
    «Um belo dia, os onze portugueses desembarcam em Londres, onde são muito bem recebidos e tratados.
    «Aproxima-se a hora do combate. Ninguém tem medo, dos nossos. Só uma coisa os preocupa: - a demora de Magriço, que anda não se sabe por onde.
    «Parára na Flandres, e por lá se divertia, sempre lembrado, no entanto, do dia do torneio... Ou não fosse ele um leal e honrado português!
    «Mas o dia do torneio alvoreceu, e Magriço ainda não estava em Londres! A dama, a quem ele vinha defender, veste-se de luto, certa já de que não teria paladino.
    «Vai a côrte inglesa toda para o campo de combate. O Rei senta-se no seu trono e as outras pessoas à volta dele.
    «Os cavalos dos combatentes espumam já.
    «O sol rutila nas lanças. A ansiedade de todos é enorme.
    «Mas do lado dos ingleses há doze cavaleiros, e do nosso lado - só onze!...
    «Onde estaria, perguntam todos, o descuidado Magriço?
    «De repente, grande alvoroço se produz e toda a gente olha para a entrada do campo.
    «É Magriço que entra, montado no seu cavalo, vestido e pronto para o combate.
    «Cumprimenta o Rei, fala às damas, abraça os companheiros, que rejubilam, e toma lugar ao lado deles.
    «A sua dama logo ali mesmo se enfeita com luxuosos arminhos, que são adornos de festa.
    «Dá sinal a trombeta do combate e os cavaleiros espoream os cavalos, largam as rédeas, abaixam as lanças.
    «Faísca a terra sob as patas dos animais, que mordem os freios de ouro. O chão parece tremer todo, sacudido.
    «O coração de quem olha os cavaleiros estremece, tão violenta é a luta.
    «O aço das armas torna-se vermelho com o sangue do inimigo.
    «Uns, caíndo, parecem voar dos cavalos até ao chão...
    «Outros, derrubados e arrastados, açoitam com os penachos dos elmos as ancas dos ginetes...
    «Morrem alguns. O resto fica ferido. E, depois de porfiada peleja, os portugueses vencem inteiramente os adversários, com aprumo e galhardia raras.
    «A soberba inglesa sofreu assim um duro golpe, mas as damas ficaram desafrontadas da injúria sofrida, graças à coragem e audácia dos nossos, que não hesitaram em bater-se pela honra alheia...
    «Mais uma vez triunfou o espírito guerreiro e cavalheiresco, e a força invencível da gente da nossa terra. O Duque de Lencastre, para lhes agradecer, albergou no seu palácio os portugueses. E, enquanto eles não regressaram a Portugal, todos os dias lhes ofereceu divertimentos, bailes e jantares, onde nunca faltavam as doze damas. À volta, segundo contam, ainda Magriço e um seu companheiro tiveram alguns desafios, o primeiro na Flandres e o segundo na Alemanha. Não deixavam nunca de pôr à prova a sua valentia e destreza no manejo das armas...»
    Queria Veloso continuar a sua narração, quando o mestre do navio lhe pediu, e aos seus ouvintes, para estarem alerta...É que se anunciava já a tempestade que Baco projectara desencadear. ..
    De facto, uma nuvem negra corria sobre a frota, e o vento crescia com enorme violência."
Cedido pelo meu amigo Dr.Luis Silva.Membro de Seia-Sala de Visitas
                                

domingo, 3 de março de 2013

O que por vezes vejo nos teus olhos


O que por vezes vejo nos teus olhos
é a minha casa
com janelas tuas,
praticamente iguais às que tenho
abertas para ti
nas minhas arcas proibidas.

De unhas perfeitas,
com aromas de amor
e sorrisos estampados no vestido justo,
que do teu corpo revelam mistérios,
as visões são perturbantes,
porque reais.

Corpórea, apesar de deusa,
és mulher a quem vale a pena
derrubar muros e acender fachos nupciais
no ar que te beija,
porque os teus lábios me lembram
uma cama acesa.



Poema: Nilson Barcelli © 

2013 - Fotografia: da Net