sexta-feira, 28 de março de 2014

A CIÊNCIA DO AMOR




A CIÊNCIA DO AMOR
O amor é um acordo que nos escapa
premissas traficadas sem certeza noite fora
em casas devolutas, em temporais, em corpos que não o nosso
aluviões para tentar de forma contínua
num sofrimento corrosivo que ninguém consegue
não chamar também de alegria
Pensamos que quando chegasse as nossas vidas acelerariam
mas nem sempre é assim:
há emoções que nos aceleram
outras que nos abrandam
Um mês ou um século mais tarde
movem-se ainda,
tão subtilmente que não se notam

:,  

sexta-feira, 21 de março de 2014

MARCAS ETERNAS...





MARCAS ETERNAS

Têm olhares que marcam a vida da gente...
Têm sorrisos que deixam sinais eternos...
Têm palavras que amolecem qualquer coração, 
Têm vozes que nos enternecem e permanecem pra sempre,
Têm expressões que nos arrebentam a alma e nos arrebatam...
Têm abraços que aconchegam seres tão próximos que se tornam irmãos...
Têm apertos de mãos que prendem uma amizade imortal...
Tem gente que quando entra na vida da gente vira-a de pernas pro ar...
...e ficamos perdidos de felicidade.
Tudo se torna uma manhã iluminada...
...e quando passa deixa só saudade.

Pe. Helder José C.Ss.R.
 

sexta-feira, 14 de março de 2014

EU SEI...NÃO TE CONHEÇO...




Eu sei, não te conheço mas existes.
por isso os deuses não existem,
a solidão não existe
e apenas me dói a tua ausência
como uma fogueira
ou um grito.

Não me perguntes como, mas ainda me lembro
quando no outono cresceram no teu peito
duas alegres laranjas que eu apertei nas minhas mãos
e perfumaram depois a minha boca.

Eu sei, não digas, deixa-me inventar-te.
não é um sonho, juro, são apenas as minhas mãos
sobre a tua nudez
como uma sombra no deserto.
É apenas este rio que me percorre há muito e deságua em ti,
Porque tu és o mar que acolhe os meus destroços.
É apenas uma tristeza inadiável, uma outra maneira de habitares
Em todas as palavras do meu canto.

Tenho construído o teu nome com todas as coisas.
tenho feito amor de muitas maneiras,
docemente,
lentamente
desesperadamente
à tua procura, sempre á tua procura
até me dar conta que estás em mim,
que em mim devo procurar-te,
e tu apenas existes porque eu existo
e eu não estou só contigo
mas é contigo que eu quero ficar só
porque é a ti,
a ti que eu amo.


JOAQUIM PESSOA

sexta-feira, 7 de março de 2014

UM ENCONTRO NUM BAR!!!!




Prova que é bom, é trova ao luar
Veronica Almeida e Abilio Fernandes

Um encontro num bar
Numa noite de magia
Numa roda de amigos
Ouvindo Pura Poesia...

E um sibemol
Soltando as amarras
Viola ao por do sol
O canto das cigarras.

Um velho barco ondulando
na rede do pescador
E um vento leve soprando
Uma canção de amor... 




O vento

Por mais que tente, o vento
não consegue adormecer
se não tiver nada para ler.
Seja uma folha de tília,
de bambu ou buganvília.

É por isso que o vento
arrasta folhas consigo,
até encontrar um abrigo,
onde possa adormecer.
- Arrastou até a folha,
onde eu estava a escrever

Jorge Sousa Braga, 2002

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

ENVELHECER...




Julio Machado Vaz
Envelhecer

Uma pessoa envelhece lentamente: primeiro envelhece o seu gosto pela vida e pelas pessoas, sabes, pouco a pouco torna-se tudo tão real, conhece o sginificado das coisas, tudo se repete tão terrível e fastidiosamente. Isso também é velhice. Quando já sabe que um corpo não é mais que um corpo. E um homem, coitado, não é mais que um homem, um ser mortal, faça o que fizer... Depois envelhece o seu corpo; nem tudo ao mesmo tempo, não, primeiro envelhecem os olhos, ou as pernas, o estômago, ou o coração. Uma pessoa envelhece assim, por partes. A seguir, de repente, começa a envelhecer a alma: porque por mais enfraquecido e decrépito que seja o corpo, a alma ainda está repleta de desejos e de recordações, busca e deleita-se, deseja o prazer. E quando acaba esse desejo de prazer, nada mais resta que as recordações, ou a vaidade; e então é que se envelhece de verdade, fatal e definitivamente. Um dia acordas e esfregas os olhos: já não sabes porque acordaste. O que o dia te traz, conheces tu com exactidão: a Primavera ou o Inverno, os cenários habituais, o tempo, a ordem da vida. Não pode acontecer nada de inesperado: não te surpreeende nem o imprevisto, nem o invulgar ou o horrível, porque conheces todas as probabilidades, tens tudo calculado, já não esperas nada, nem o bem, nem o mal... e isso é precisamente a velhice.

Sándor Márai, in 'As Velas Ardem Até ao Fim'

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

CORRE UM RIO SEM FIM!!!!




Entre o sono e sonho, 

Entre mim e o que em mim 
É o quem eu me suponho 
Corre um rio sem fim.



Passou por outras margens, 
Diversas mais além, 
Naquelas várias viagens 
Que todo o rio tem.



Chegou onde hoje habito 
A casa que hoje sou. 
Passa, se eu me medito; 
Se desperto, passou.



E quem me sinto e morre 
No que me liga a mim 
Dorme onde o rio corre 
Esse rio sem fim.



(Fernando Pessoa)

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

ESTE AMOR INFINITO E IMACULADO!!!





Este Amor Infinito e ImaculadoQuerida, o teu viver era um letargo, 
Nenhuma aspiração te atormentava; 
Afeita já do jugo ao duro cargo, 
Teu peito nem sequer desafogava. 
Fui eu que te apontei um mundo largo 
De novas sensações; teu peito ansiava 
Ouvindo-me contar entre caricias, 
Do livre e ardente amor tantas delicias! 

Não te mentia, não. Sentiste-o, filha, 
Esse amor infinito e imaculado, 
Estrela maga que incessante brilha 
Da alma pura ao casto amor sagrado; 
Afecto nobre que jamais partilha 
O coracão de vícios ulcerado. 
Não sentes, nem recordas, já sequer? 
Quem deste amor te despenhou, mulher ? 

Eu não! Se muitos crimes me desluzem, 
Se pôde transviar-me o seu encanto, 
Ao menos uma só não me recusem, 
Uma virtude só: amar-te tanto! 
Embora injúrias contra mim se cruzem, 
Cuspindo insultos neste amor tão santo, 
Diz tu quem fui, quem sou, e se é verdade 
O opróbrio aviltador da sociedade. 

Camilo Castelo Branco, in 'Poema dedicado a Ana Plácido (1857)'

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Vens comigo?




 Vens comigo?


Vens comigo?
Temos barcos aportados
E um já a bolinar, atrevido.
Um pronto a partir, desenfreado,
Do lado do coração,
Outro, na outra banda,
Ainda preso ao cais da razão.
Mas ambos sabemos
Que já navegamos em todos,
Timidamente,
Ao mesmo tempo.
Há que tempo…
Num carrossel a medrar como silvas
Movido com beijos dos nossos.
Mesmo não percebendo a pergunta
Nem qual o destino,
Repito,
Vens comigo?
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sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Quem sou eu?



Quem sou eu? '
Sou  um ser humano
perdido na multidão
os meus passos são  rasgados
assim como é  o meu coração.

Numa época  em que tanto se luta
pela violência doméstica e com justa causa,
porque não há punição para a vilolência verbal?
Essa nao mata,mas sangra e ninguém  a  escuta
Porque o silêncio é atroz,a dôr é profunda e sem cura.



Betinha Correia...


UMA BOA SEMANA

sábado, 18 de janeiro de 2014

VIVI NUM PARAÍSO!







Vivi num Paraíso

 Vivi num paraíso
no sopé da serra plantado.
Saltava,brincava  e nadava no rio.
E era tanta a loucura
ao passar para a outra margem...
Tanto era rebolar na relva fresca
como a convidar a uma pausa
ou a desfrutar uma miragem.
Sinto saudades,
sou uma sombra do que fui!
Perdi os meus direitos,
vieram outros tempos muito duros
que tento ultrapassar.
Porém, prometi a mim mesma
voltar ao dito refúgio.
As lágrimas,serão o rio.
A margem o meu corpo.
os meus olhos,a imagem.
a minha vida,um sorriso.

Betinha correia





sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

UM PENSAMENTO:



“A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do sofrimento, perdemos também a felicidade. A dor é inevitável. O sofrimento é opcional.” 
―Carlos Drummond de Andrade
Pensas que eu sou um caso isolado

Não sou o único a olhar o céu
A ver os sonhos partirem
À espera que algo aconteça
A despejar a minha raiva
A viver as emoções
A desejar o que não tive
Agarrado ás tentações
E quando as nuvens partirem
O céu azul ficará
E quando as trevas abrirem
Vais ver, o sol brilhará

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

HOJE É UM SONHO!!!



ADOREI VIVER AQUI
FORAM,TALVEZ,OS ANOS MAIS LINDOS DE MENINA!
NUNCA HÁ BELA SEM SENÃO
DIZ O POVO E TÊM RAZÃO!!!

FELIZ E CONTENTE,PARTI UM DENTE
A BICICLETA  DO MENINO JESUS,NO NATAL
SOU TEIMOSA  E APRENDI RÁPIDAMENTE
SEREI  AQUELA SERRANA  SINCERA E LEAL

CONTINUEI POR AQUELAS AVENIDAS
DESLUMBRANTES. EM QUE TUDO
ERA NOVIDADE  PARA MIM,ATENTA
A UM MUNDO NOVO  DE ENTRADAS E SAÍDAS

AO MEU LADO,COMO PROTECÇÃO
COMO QUALQUER MÃE OU PAI
GUARDAVA O SEU TESOURO.
COM  AMOR E CARINHO, NO JARDIM DO CORAÇÃO

SUBITAMENTE,A MORTE É TRAIÇOEIRA
É MANHOSA E ARMA RATOEIRA.
A JUVENTUDE TÊM UM PRODÍGIO:
DÁ FORÇA  PARA  SUPERAR E VIVER
HOJE, É SONHO, QUE COMIGO IRÁ MORRER!!


(UM DESABAFO)
Betinha Correia






quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

CARTAS DE AMOR!!!







Cartas de amor
Fernando Pessoa,

Todas as cartas de amor são ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem ridículas.
Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras, ridículas.
As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser ridículas.
Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são ridículas.
Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor ridículas.
A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são ridículas.
(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente ridículas.)

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Dizer adeus



Dizer adeus

Dizer adeus
é inquietude, alívio, ou até desprendimento.
Ou tudo junto.
Mulher de olhar no chão,
alma apertada
que se espalma nas pedras da calçada.
Criança que se alheia,
sem travessuras,
atravessada pela sua ingenuidade.

Dizer adeus,
é coisa estranha
que se entranha em pensamento inquebrantável,
ponte que se quebra
com gente a atravessá-la
de mãos erguidas
para impedir que a vida sangre para o fundo.

Por isso,
não digo adeus a nada,
nem sequer às flores por almas secas dobradas.
Inquietado, aliviado, desprendido,
ou tudo junto,
só direi adeus à vida.

Poema: Nilson Barcelli
















sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

SAUDADE.



SAUDADE

Abstrata, é a palavra saudade,
que nos confunde e dói
na dor que nos aperta,
que me destrói
entre o nostálgico de outrora
e a tristeza de hoje.
Fui tão feliz, tão acarinhada,
mas hoje sou um farrapo
na berma da estrada abandonado.
Tenho amigos, estão longe
e, se falo com eles, acabamos a chorar.
A sonhar, já não tenho direito,
resta-me somente chorar.
As lágrimas, são uma revolta,
são o meu espelho da vida.
Queria estar num deserto
onde ninguém me pudesse escutar,
e o silêncio fosse a voz
que, sem saudade, me viesse libertar.


-Betinha Correia--

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

MEDOS!

Imagem da Net

Os medos

O Sol brilhava e convidava
a caminhar
e a soltar os medos que me afligem.

Andei,
andei e fui parar
ao bosque onde sei que há lobos maus.

Encostei-me à árvore mais frondosa,
a tal que não se confunde
com a floresta,
e acariciei os raios de Sol
que por ela penetravam destemidos.

Estava tão feliz e sem medos!
Libertei a minha imaginação
pelo que passei e pelo que passo agora.
Tinha como ouvinte
a brisa suave que vinha directa
ao meu coração.

Pensei nele, porque não?
Ele também pensou em mim
Andamos em sintonia, é inevitável...

Despedi-me da árvore
prometendo voltar brevemente
para absorver o Sol de Inverno
que amputa os medos
do lobo mau da minha mente.
Betinha Correia