segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Bilhete para o Amigo Ausente

Imagem da Net, S.M.P.

Bilhete para um Amigo Ausente
Lembrar teus caminhos de luz
A ter existido um pomar
Intangíveis laranjas de luz
Laranjas que apetece roubar

Teu lugar de ontem na cintura
é ainda o vestido que trago
seda imaterial seda pura
de criança afogada no lago

Os motores que entre nós aceleram
Os vazios comboios do sonho
das mulheres que estão á espera
são o único luto que ponho.

Natália Correia, in "o Vinho e a Lira"




















quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

BALADA DA NEVE....


Batem leve, levemente, 

como quem chama por mim. 
Será chuva? Será gente? 
Gente não é, certamente 
e a chuva não bate assim.

É talvez a ventania: 
mas há pouco, há poucochinho, 
nem uma agulha bulia 
na quieta melancolia 
dos pinheiros do caminho...

Quem bate, assim, levemente, 
com tão estranha leveza, 
que mal se ouve, mal se sente? 
Não é chuva, nem é gente, 
nem é vento com certeza.

Fui ver. A neve caía 
do azul cinzento do céu, 
branca e leve, branca e fria... 
- Há quanto tempo a não via! 
E que saudades, Deus meu!

Olho-a através da vidraça. 
Pôs tudo da cor do linho. 
Passa gente e, quando passa, 
os passos imprime e traça 
na brancura do caminho...

Fico olhando esses sinais 
da pobre gente que avança, 
e noto, por entre os mais, 
os traços miniaturais 
duns pezitos de criança...

E descalcinhos, doridos... 
a neve deixa inda vê-los, 
primeiro, bem definidos, 
depois, em sulcos compridos, 
porque não podia erguê-los!...

Que quem já é pecador 
sofra tormentos, enfim! 
Mas as crianças, Senhor, 
porque lhes dais tanta dor?!... 
Porque padecem assim?!...



E uma infinita tristeza, 
uma funda turbação 
entra em mim, fica em mim presa. 
Cai neve na Natureza 
- e cai no meu coração

Augusto Gil, 

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Pessoas vão embora de todas as formas:

Rita Mara Lorusso Todeschi

Pessoas vão embora de todas as formas: vão embora da nossa vida, do nosso coração, do nosso abraço, da nossa amizade, da nossa admiração, do nosso país. E, muitas a quem dedicamos um profundo amor, morrem. E continuam imortais dentro da gente. A vida segue: doendo, rasgando, enchendo de saudade... Depois nos dá aceitação, ameniza a falta trazendo apenas a lembrança que não machuca mais: uma frase engraçada, uma filosofia de vida, um jeito tão característico, aquela peculiaridade da pessoa.
Mas pessoas vão embora. As coisas acabam. Relações se esvaem, paixonites escorrem pelo ralo, adeuses começam a fazer sentido. E se a gente sente com estas idas e também vindas, é porque estamos vivos.
Cuidemos deste agora. Muitos já se foram para nos ensinar que a vida é só um bocado de momento que pode durar cem anos ou cinco minutos. E não importa quanto tempo você teve para amar alguém, mas o amor que você investiu durante aquele tempo.
Segundos podem ser eternidades... ou não. Depende da ocasião.
(Marla de Queiroz)

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

CORPO DE ÁGUA!!!

SONI M.POMPI




CORPO DE ÁGUA







"O nosso corpo é a nossa guerra, a nossa paz…

E é na guerra que o meu corpo d´água
em teu corpo de terra se desfaz…

Encharco esse teu corpo sedento
que, aos poucos, absorve de mim o alento,
e é com medo que te esventro,
só com medo…
que te esventro com medo que te vás!

E neste meu corpo d´água que se tenta
pelo teu corpo de terra sedenta
jorra a nascente que te envolve

te preenche e nos devolve a paz



JOAO MORGADO





quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

PELA VERDADE E....


Pela verdade, pelo riso, pela luz, pela beleza,
Pelas aves que voam no olhar de uma criança,
Pela limpeza do vento, pelos actos de pureza,
Pela alegria, pelo vinho, pela música, pela dança,
Pela branda melodia do rumor dos regatos,
Pelo fulgor do estio, pelo azul do claro dia,
Pelas flores que esmaltam os campos, pelo sossego dos pastos,
Pela exactidão das rosas, pela Sabedoria,
Pelas pérolas que gotejam dos olhos dos amantes,
Pelos prodígios que são verdadeiros nos sonhos,
Pelo amor, pela liberdade, pelas coisas radiantes,
Pelos aromas maduros de suaves outonos,
Pela futura manhã dos grandes transparentes,
Pelas entranhas maternas e fecundas da terra,
Pelas lágrimas das mães a quem nuvens sangrentas
Arrebatam os filhos para a torpeza da guerra,
Eu te conjuro ó paz, eu te invoco ó benigna,
Ó Santa, ó talismã contra a indústria feroz.
Com tuas mãos que abatem as bandeiras da ira,
Com o teu esconjuro da bomba e do algoz,
Abre as portas da História,
deixa passar a Vida!

Natália Correia

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

POMBA BRANCA!!




Pomba branca,Pomba branca
voa,voa e voa sem parar!
leva-lhe essa linda rosa
e trás-me de volta
o brilho do seu olhar!



O olhar que eu conheci       
Nunca o vou esquecer                   
mas só tu, pomba branca
o podes e deves saber...


VOTOS DE UMA BOA SEMANA


Betinha Correia 

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Perdida Esperança...


FOTOGRAFIA DA NET


Soneto da Perdida Esperança
Perdi o bonde e a esperança. 
Volto pálido para casa. 
A rua é inútil e nenhum auto 
passaria sobre meu corpo. 

Vou subir a ladeira lenta 
em que os caminhos se fundem. 
Todos eles conduzem ao 
princípio do drama e da flora. 

Não sei se estou sofrendo 
ou se é alguém que se diverte 
por que não? na noite escassa 

com um insolúvel flautim. 
Entretanto há muito tempo 
nós gritamos: sim! ao eterno.

Carlos Drummond de Andrade

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

NÃO SEI TEU NOME!!!


NÃO SEI TEU NOME

Joaquim Monteiro



Escrevo no tronco das árvores o teu nome
Abstracto, por não te saber soletrar
Mas também, para que serve o teu nome
Se te trato por Amor. Não será isso supremo?
Escrevo teu nome, para que a seiva te percorra
Numa presença constante e iluminada
Para que o tempo se desenvolva na clorofila de teus olhos
Nada mais conta, se não, esta necessidade de te amar.

De te chamar mar, inundando minha boca de sal
De te chamar barco, navegando a minha pele
Chamar-te Sol quando meus dias são mais negros que breu
Dizer-te lua, quando teu corpo é mais luminoso que as estrelas.
Que importa que não saiba dizer teu nome
Aquele por quem te identifica o mundo
E te deixa no louco anonimato dos dias.

O teu nome está em mim e eu permaneço nele
Tudo se reduz á palavra inventada em cada instante
Em cada esquina de teus lugares recônditos
Quando trocamos de lábios, sempre que me dizes
Que os nardos que plantaste no meu corpo
Têm o aroma das imprevisíveis montanhas.

Sei-te amor, pelas frondosas tílias que me cobrem
Aquelas doces tílias imutáveis
Que na fragrância de teus seios, repousam leves
Adormecendo meu espírito na beleza que lhes dás.

Amo-te mais que as nuvens a própria água
E pela cor dos teus mamilos, sei, qual
A luz que de mim te chega.
Sempre que me ausento, em mim se esconde,
A doce melodia de teus murmúrios.
Basta-me esse falar nos meus silêncios
Para cantar-te em todas as manhãs do mundo.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

FELIZ ANO NOVO PARA OS QUATRO CANTOS DO MUNDO

Hoje terminamos mais um ano, foi um ano de muitas realizações,
alegrias e tristezas, mas se chegamos até aqui é porque mesmo com todas
as dificuldades que a vida nos apresentou fomos capazes de tudo superar
e com elas aprendemos muito e principalmente crescemos interiormente.

Mas nós que hoje estamos aqui perante esta passagem maravilhosa
deixamos que junto a ela nos possamos  despedir ,de todas as nossas tristezas,
derrotas, desânimos, dores , lágrimas e tudo aquilo que nos fêz sofrer
e que fazemos questão de esquecer , pois, ninguém vive do passado.

Vamos sim acreditar que agora é tudo novo e a nossa vida também,
tudo será diferente para melhor,muito melhor porque somos nós
que dizemos o sim e o não em nossas vidas e são estas duas
palavrinhas que escrevem o nosso destino.

Portanto pensemos bem antes de usá-las. Vamos acreditar, vamos ter fé
e é claro vamos também fazer por onde para que tudo isso se reverta
em muita saúde, paz, felicidade, prosperidade, fraternidade e amor,
muito amor. Para os nossos filhos, familiares e amigos.

domingo, 16 de dezembro de 2012

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

IMAGEM DA NET


Alma minha gentil, que te partiste
Tão cedo desta vida descontente,
Repousa lá no Céu eternamente,
E viva eu cá na terra sempre triste.

Se lá no assento Etéreo, onde subiste,
Memória desta vida se consente,
Não te esqueças daquele amor ardente,
Que já nos olhos meus tão puro viste.

E se vires que pode merecer-te
Algũa cousa a dor que me ficou
Da mágoa, sem remédio, de perder-te,

Roga a Deus, que teus anos encurtou,
Que tão cedo de cá me leve a ver-te,
Quão cedo de meus olhos te levou.

Luís Vaz de Camões, in "Sonetos"

sábado, 8 de dezembro de 2012

imagem da NET
Tu ensinaste-me a fazer uma casa: 
com as mãos e os beijos.
Eu morei em ti e em ti meus versos
procuraram voz e abrigo.
E em ti guardei meu fogo e meu desejo.
Construí a minha casa.
Porém não sei já das tuas mãos.
Os teus lábios perderam-se
entre palavras duras e precisas
que tornaram a tua boca fria
e a minha boca triste como
um cemitério de beijos.

Mas recordo a sede unindo as nossas bocas
mordendo o fruto das manhãs proibidas
quando as nossas mãos surgiam por detrás
de tudo para saudar o vento.

E vejo teu corpo perfumando a erva
e os teus cabelos soltando revoadas de pássaros
que agora se recolhem, quando a noite se move,
nesta casa de versos onde guardo o teu nome."

Joaquim Pessoa, in 'Os Olhos de Isa'

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Há palavras que nos beijam

IMAGEM DE HAMILTON
Há palavras que nos beijam

Alexandre O'Neill

Há palavras que nos beijam
Como se tivessem boca,
Palavras de amor, de esperança,
De imenso amor, de esperança louca.
Palavras nuas que beijas
Quando a noite perde o rosto,
Palavras que se recusam
Aos muros do teu desgosto.
De repente coloridas
Entre palavras sem cor,
Esperadas, inesperadas
Como a poesia ou o amor.
(O nome de quem se ama
Letra a letra revelado
No mármore distraído,
No papel abandonado)
Palavras que nos transportam
Aonde a noite é mais forte,
Ao silêncio dos amantes

domingo, 2 de dezembro de 2012

O Caminho da Vida

UMA ÓPTIMA SEMANA

Adicionar legenda

O Caminho da Vida

O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém nos extraviamos.

A cobiça envenou a alma dos homens... levantou no mundo as muralhas do ódios... e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e morticínios.

Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria.

Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco.

Mais do que de máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido.

(O Último discurso, do filme O Grande Ditador)
Charles Chaplin