sexta-feira, 26 de outubro de 2012

 



Imagem da net

De: Fernando Moreno

A MALETA

Um homem morreu.
Ao se dar conta, viu que Deus se aproximava e tinha uma maleta com Ele.

E Deus disse:
- Bem, filho, hora de irmos.

O homem assombrado perguntou:
- Já? Tão rápido? Eu tinha muitos planos...
- Sinto muito, mas é o momento de sua partida.
- O que tem na maleta? Perguntou o homem.

E Deus respondeu:
- Os seus pertences!!!
- Meus pertences? Minhas coisas, minha roupa, meu dinheiro?

Deus respondeu:
- Esses nunca foram seus, eram da terra.
- Então são as minhas recordações?
- Elas nunca foram suas, elas eram do tempo.
- Meus talentos?
- Esses não pertenciam a você, eram das circunstâncias.
- Então são meus amigos, meus familiares?
- Sinto muito, eles nunca pertenceram a você, eles eram do caminho.
- Minha mulher e meus filhos?
- Eles nunca lhe pertenceram, eram de seu coração.
- É o meu corpo.
- Nunca foi seu, ele era do pó.
- Então é a minha alma.
- Não! Essa é minha.

Então, o homem cheio de medo, tomou a maleta de Deus e ao abri-la se deu conta de que estava vazia... Com uma lágrima de desamparo brotando em seus olhos, o homem disse:
- Nunca tive nada?
- É assim, cada um dos momentos que você viveu foram seus. A vida é só um momento... Um momento só seu! Por isso, enquanto estiver no tempo, desfrute-o em sua totalidade. Que nada do que você acredita que lhe pertence o detenha... Viva o agora! Viva sua vida! E não se esqueça de SER FELIZ, é o único que realmente vale a pena! As coisas materiais e todo o resto pelo que você luta fica aqui. VOCÊ NÃO LEVA NADA! Valorize àqueles que valorizam você, não perca tempo com alguém que não tem tempo para você

sábado, 20 de outubro de 2012

NAO DIGAS NADA...

Imagem da Net
 
Não digas nada!
Nem mesmo a verdade
Há tanta suavidade em nada se dizer
E tudo se entender —
Tudo metade
De sentir e de ver...
Não digas nada
Deixa esquecer

Talvez que amanhã
Em outra paisagem
Digas que foi vã
Toda essa viagem
Até onde quis
Ser quem me agrada...
Mas ali fui feliz
Não digas nada.

Fernando Pessoa, in "Cancioneiro
Não digas nada!

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

CANÇÃO DE OUTONO.

Minha imagem.
CANÇÃO DE OUTONO

Perdoa-me, folha seca,

não posso cuidar de ti.
Vim para amar neste mundo,
e até do amor me perdi.

De que serviu tecer flores

pelas areias do chão,
se havia gente dormindo
sobre o própro coração?

E não pude levantá-la!

Choro pelo que não fiz.
E pela minha fraqueza
é que sou triste e infeliz.
Perdoa-me, folha seca!
Meus olhos sem força estão
velando e rogando áqueles
que não se levantarão...

Tu és a folha de outono

voante pelo jardim.
Deixo-te a minha saudade
- a melhor parte de mim.
Certa de que tudo é vão.
Que tudo é menos que o vento,
menos que as folhas do chão...
Cecília Meireles

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

A LEITURA É....

imagem da net
A leitura é uma fonte inesgotável de prazer mas por incrível que pareça, a quase totalidade, não sente esta sede
Carlos Drummond de Andrade

sábado, 6 de outubro de 2012

SONETO DE AMOR...



Soneto de amor 
 Não me peças palavras, nem baladas,
Nem expressões, nem alma... 

Abre-me o seio,
Deixa cair as pálpebras pesadas,
E entre os seios me apertes sem receio.

Na tua boca sob a minha, ao meio,
Nossas línguas se busquem, desvairadas...
E que os meus flancos nus vibrem no enleio
Das tuas pernas ágeis e delgadas.

E em duas bocas uma língua..., — unidos,
Nós trocaremos beijos e gemidos,
Sentindo o nosso sangue misturar-se.

Depois... — abre os teus olhos, minha amada!
Enterra-os bem nos meus; não digas nada...
Deixa a Vida exprimir-se sem disfarce!

José Régio, in “Antologia Pessoal da Poesia Portuguesa, Eugénio de Andrade”

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

ESCREVO COM SEI!!



IMAGEM DA NET
                                                        A 5 DE OUTUBRO DO ANO 1910
FOI A IMPLANTAÇÃO DA REPÚCLICA EM PORTUGAL.

Não sou Poetisa  nem Escritora
e muito menos Doutora.
Não sei escrever palavras bonitas
sou como sou e quando as escrevo,
são minhas E muito sentidas.
Sou uma habitante do meu País
que  continua a aprender
para saber, o que pode dizer.
Somos um País onde a palavra
"Descobrimentos"foi o nosso lema
Portugal,tendo dado
novos mundos ao "Mundo"
hoje, esse Mundo está de costas voltadas
e   Portugal numa LENTA  AGONIA.
Da  implantação da república
O avô,contava  aos netos  com conhecimento de causa, o 
signficado da morte do rei D.Carlos...e...e...
das lutas que há época foram envolvidas
dando origem a um novo sistema.
Não havia internet!
Eram estudos lidos e relidos  nos manuais da 
         "Historia de Portugal".
Sem dúvida, a  caminhada na vida, repete-se, sempre e sempre!



"UM DESABAFO"

HOJE 5 de OUTUBRO  
OS MEUS PAIS FARIAM ANOS DE CASADOS.
JÁ NAO ESTÃO COMIGO,MAS EU ESTOU NO MEIO DELES
ALGURES, NUMA ESTRÊLA,ASSIM O QUERO PENSAR!
Fotografia de:Eduardo Correia
BOM FIM DE SEMANA

Betinha Correia

sábado, 29 de setembro de 2012

Da verdade do amor

Da verdade do amor se meditam
relatos de viagens confissões
e sempre excede a vida
esse segredo que tanto desdém
guarda de ser dito

pouco importa em quantas derrotas
te lançou
as dores os naufrágios escondidos
com eles aprendeste a navegação
dos oceanos gelados

não se deve explicar demasiado cedo
atrás das coisas
o seu brilho cresce
sem rumor

José Tolentino Mendonça, in "Baldios"

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

UMA ÓPTIMA SEMANA!


Poema de Sophia de Mello Breyner Andresen

Se tanto me dói que as coisas passem
É porque cada instante em mim foi vivo
Na busca de um bem definitivo
Em que as coisas de Amor se eternizassem

Sophia de Mello Breyner Andresen

domingo, 16 de setembro de 2012

O TANGO DAS NINFAS DO MAR EGEU






O TANGO DAS NINFAS DO MAR EGEU

Numa noite de luar,
vi-me de repente
na Caverna de Nereu
resgatado pelas Ninfas
que dormem e dançam
no mar Egeu.

E bailaram, bailaram
a noite inteira, numa dança
de festa do meu resgate
àquele verde Mar.

Tomou-me uma ninfa,
anjo do céu,
meu corpo envolveu,
colando-se ao meu.

Seus dedos fechados
entrelaçaram os meus;
seus lábios cresceram
unindo-se aos meus.

Dançámos um tango
no seio das ninfas,
que se juntaram ao meu.

E bailámos…bailámos!...
Soltei um gemido!...
O tango parou;
as ninfas saltaram
salvou-me Nereu.

© Acácio Costa
Pintura: Vaaleria Corvino

 UM BOM DOMINGO E UMA ÓPTIMA SEAMNA

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Sem os teus passos...



Sem os teus os  passos
custa-me tanto caminhar e, 
no meu compasso,
a tua imagem acelera o ritmo do que observo,
tornando secundário
tudo o que vejo.

Mesmo desaparecida,
o espaço da tua imagem viaja comigo
e nada o preenche,
porque, sem ti,
não há caminhar que chegue a lugar nenhum.

Sem os teus passos ao lado dos meus,
há em mim
uma fraqueza com as pontadas
das coisas escusadas,
porque é a ti que eu quero, toda,
ou até um bocadinho mais que toda, inescusável.

Poema: Nilson Barcelli


PS.De um amigo, com um "A" bem grande.

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

QUE A VIDA ENSINE:


"Que a vida ensine que tão
ou mais difícil do que ter razão, é saber tê-la.
Que o abraço abrace.
Que o perdão perdoe.
Que tudo vire verbo e verbe.
Verde. Como a esperança.
Pois, do jeito que o mundo vai,
dá vontade de apagar e começar tudo de novo..."
 
Bom fim de semana
 
Betinha correia


segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Não tenho ambições nem desejos...

IMAGEM DE;SERAFIM CORREIA
Não tenho ambições nem desejos.
ser poeta não é uma ambição minha.
É a minha maneira de estar sózinha.
...

Ou quando uma nuvem passa a mão por cima da luz
E corre um silêncio pela erva fora.
...
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe porque ama, nem sabe o que é amar...
...

Do cimo da  minha "Serra da Estrêla",vejo a minha aldeia
vejo o quanto na terra, se pode ver o Universo...
Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer,
Porque eu sou do tamanho que a vejo
E não do tamanho da minha altura...
...

A mim ensinou-me tudo.
Ensinou-me a olhar para as coisas.
Aponta-me todas as coisas que há nas flores.
Mostra-me como as pedras são engraçadas
Quando a gente as tem na mão
E olhar devagar para elas!
A:D:

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Reutilizar.org É Simples, Fácil e Genial !


"Ver muito e ler muito aviva o engenho do homem."

Miguel Cervantes


Quando era pequeno lia e relia os livros do ensino primário da minha mãe e dos meus tios maternos. Os livros tinham na 1.ª página o nome dos meus familiares e notava-se claramente que tinham passado por todos ou pela maioria deles.

Quando saí de Loriga, notei que todos os anos tinha de ter livros novos. Notei igualmente que os meus colegas, com outros professores, mas as mesmas disciplinas, tinham livros diferentes dos meus.

Houve um ano, na minha passagem pelo ensino secundário que graças ao meu pai, consegui obter livros emprestados de uma biblioteca alfacinha, que me fizeram poupar bastantes trocos, mas apenas a uma disciplina.

Todos os anos, os livros mudam e mudam os programas escolares. Desde que entrei para a classe do Senhor Professor Coutinho, em Loriga, que oiço falar em Reforma do Ensino e cada vez mais vejo pessoas, que mais do que conhecimento, demonstram falta de criatividade e ginástica mental para resolverem problemas e ultrapassarem os vários desafios da vida.

Aplaudo assim o projecto reutilizar.org e faço votos para que a sociedade portuguesa, europeia e a humanidade no geral se una e crie mais ideias e formas de crescimento dos valores comuns.

Partilho o texto de Henrique Trigueiros Cunha e espero que nas cidades de Lisboa, Guarda, Seia, na vila de Loriga e noutras tantas terras, ideias iguais possam surgir, bem como, pessoas receptivas a este interessante projecto.

*

https://sites.google.com/site/reutilizarorg/ 

“Pouco a pouco temos conseguido construir um movimento sólido, credível e consequente, capaz de passar eficazmente a sua única mensagem - os Portugueses querem Reutilizar os seus livros escolares e esta deve ser uma prática Universal em Portugal!

A este movimento juntam-se diariamente centenas de pessoas, umas abrindo novos pontos de troca ou oferecendo-se como voluntários nos bancos existentes, outras partilhando e/ou trocando os seus livros escolares, outras ainda partilhando activamente as nossas boas notícias no facebook e nos seus círculos de amigos e conhecidos (de realçar que a partilha no facebook continua a ser muito importante tendo sido há 1 ano atrás a origem de todo este projecto).

O somatorio de todas estas contribuições fazem o que hoje todo o País já começa a conhecer como Movimento pela reutilização dos livros escolares.

Um movimento de cidadãos para cidadãos, sempre com um discurso positivo e pela positiva, baseado no princípio "eu faço para dar o exemplo" e transversal a todas as classes sociais e económicas.

Ainda assim, depois de umas dezenas de milhar de livros trocados, pouco conseguimos fazer se atendermos ao facto de que no nosso País são usados anualmente mais de 9.000.000 de livros escolares!

Por isso aproveito esta nota para pedir a todos quanto querem ajudar este movimento a atingir o seu objectivo que partilhem incessantemente as nossas notícias e outras informações relevantes que permitam que de uma vez por todas a Reutilização dos livros escolares seja uma prática Universal em Portugal.

(todas as informações estão no nosso site em reutilizar.org)

Obrigado por partilharem também esta nota!”

Henrique Trigueiros Cunha



quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Morre lentamente quem ......


,Morre lentamente quem não viaja,quem não lê, quem  não ouve música, quem não encontra graça em sim mesmo....Morre lentamente quem não se torna escravo do hábito,repetindo,todos os dias os mesmos trejectos quem não muda de marca,não arrisca a vestir uma nova cor,quem não conversa com quem nao conhece..Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz com o seu trabalho e o seu amor,quem não arrisca o incerto,pelo  incerto.para ir atrás de um sonho ...quem não permite, pelo menos ,uma vez na vida fugir dos conselhos sensatos.....







Pablo de Neruda

sexta-feira, 27 de julho de 2012

O nosso livro...

Arte & Poesia

 O nosso livro

Livro do meu amor, do teu amor,
Livro do nosso amor, do nosso peito…
Abre-lhe as folhas devagar, com jeito,
Como se fossem pétalas de flor.

Olha que eu outro já não sei compor
Mais santamente triste, mais perfeito
Não esfolhes os lírios com que é feito
Que outros não tenho em meu jardim de dor!

Livro de mais ninguém! Só meu! Só teu!
Num sorriso tu dizes e digo eu:
Versos só nossos mas que lindos sois!

Ah, meu Amor! Mas quanta, quanta gente
Dirá, fechando o livro docemente:
“Versos só nossos, só de nós os dois!…”

 

Florbela Espanca