sábado, 11 de março de 2017

DA VERDADE DO AMOR...


Da verdade do amor

Da verdade do amor se meditam 
relatos de viagens confissões 
e sempre excede a vida 
esse segredo que tanto desdém 
guarda de ser dito 

pouco importa em quantas derrotas 
te lançou 
as dores os naufrágios escondidos 
com eles aprendeste a navegação 
dos oceanos gelados 

não se deve explicar demasiado cedo 
atrás das coisas 
o seu brilho cresce 
sem rumor 

José Tolentino Mendonça, in "Baldios" 

quarta-feira, 8 de março de 2017

TRANSPARÊNCIAS


((PARA TODA A MULHER DO PLANETA))

Transparências

É por dentro da carne
que a dor recrudesce

Na alucinação da espera
o grito reverbera
nas entranhas da pele
mutilando espaços secretos
onde a mão amada não oferece abrigo
nem o corpo desejado reconhece o tato

No limiar do tempo que se evola
não há nenhum limite

Toda dor é cega e incolor
quando transcende
o manto diáfano da pele
.
.
© Sonie Marie
(ao abrigo do código do direito de autor
 —

sexta-feira, 3 de março de 2017

BALADA DA NEVE!!!!

SRª DO DESTERRO
FOTO DE:ANTONIO CORREIA

Batem leve, levemente,
como quem chama por mim.
Será chuva? Será gente?
Gente não é, certamente
e a chuva não bate assim.

É talvez a ventania:
mas há pouco, há poucochinho,
nem uma agulha bulia
na quieta melancolia
dos pinheiros do caminho...

Quem bate, assim, levemente,
com tão estranha leveza,
que mal se ouve, mal se sente?
Não é chuva, nem é gente,
nem é vento com certeza.

Fui ver. A neve caía
do azul cinzento do céu,
branca e leve, branca e fria...
Há quanto tempo a não via!
E que saudades, Deus meu!

Olho-a através da vidraça.
Pôs tudo da cor do linho.
Passa gente e, quando passa,
os passos imprime e traça
na brancura do caminho...

Fico olhando esses sinais
da pobre gente que avança,
e noto, por entre os mais,
os traços miniaturais
duns pezitos de criança...

E descalcinhos, doridos...
a neve deixa inda vê-los,
primeiro, bem definidos,
depois, em sulcos compridos,
porque não podia erguê-los!...

Que quem já é pecador
sofra tormentos, enfim!
Mas as crianças, Senhor,
porque lhes dais tanta dor?!...
Porque padecem assim?!...

E uma infinita tristeza,
uma funda turbação
entra em mim, fica em mim presa.
Cai neve na Natureza
e cai no meu coração.

AUGUSTO GIL (1873-1929)

domingo, 26 de fevereiro de 2017

BOM CARNAVAL.


O CAMPINO!!!!
"Não chores pelo que perdeste, luta pelo que tens.
Não chores pelo que está morto, luta por aquilo que nasceu em ti.
Não chores por quem te abandonou, luta por quem está contigo.
Não chores por quem te odeia, luta por quem te quer.
Não chores pelo teu passado, luta pelo teu presente.
Não chores pelo teu sofrimento, luta pela tua felicidade."
Com as coisas que vão nos acontecendo vamos aprendendo que tudo é possível de se resolver, apenas segue em frente...
Bom Dia!

sábado, 18 de fevereiro de 2017

UMA SAUDADE PERMANENTE....


MINHA FILHA:
PRECISAVA TANTO DE TI A MEU LADO.
UM FILHO NUNCA DEVIA MORRER ANTES DOS PAIS.
É UMA ANGUSTIA  QUE O TEMPO APAGA JAMAIS!
OLHA MINHA LINDA E MAROTA,NÃO VAMOS RECORDAR
O PASSADO.
FALEMOS NO PRESENTE,E O PRESENTE SERÁS SEMPRE TU.
TENS UM MANO MARAVILHOSO,E TÊM O MESMO SINAL
NO PULSO COMO TU TINHAS.
NÓS VAMOS ANDANDO,CANTANDO E CHORANDO.
NO DIA DE HOJE,HÁ FESTA NO CÉU,PORQUE  UMA
ESTÊLA TÊM OUTRO BRILHO,MINHA ADORADA FILHA.

O MANO,MANDA-TE UM BEIJO
EU,MANDO-TE UM SEGREDO.

ADORO-TE MARTA SOFIA.
TUA MÃE


ELISABETE MARIA.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

QUANDO EU NASCI......


Quando eu nasci,
ficou tudo como estava,
Nem homens cortaram veias,
nem o Sol escureceu,
nem houve Estrelas a mais…
Somente,
esquecida das dores,
a minha Mãe sorriu e agradeceu.

Quando eu nasci,
não houve nada de novo
senão eu.

As nuvens não se espantaram,
não enlouqueceu ninguém…

P’ra que o dia fosse enorme,
bastava
toda a ternura que olhava
nos olhos de minha Mãe…

José Régio

domingo, 5 de fevereiro de 2017

SONETO DO AMIGO.



Soneto do amigo

Enfim, depois de tanto erro passado 
Tantas retaliações, tanto perigo 
Eis que ressurge noutro o velho amigo 
Nunca perdido, sempre reencontrado.

É bom sentá-lo novamente ao lado 
Com olhos que contêm o olhar antigo 
Sempre comigo um pouco atribulado 
E como sempre singular comigo.

Um bicho igual a mim, simples e humano 
Sabendo se mover e comover 
E a disfarçar com o meu próprio engano.

O amigo: um ser que a vida não explica
Que só se vai ao ver outro nascer
E o espelho de minha alma multiplica...
Vinicius de Moraes

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

COISA AMAR


Manuel AlegreÉ

Coisa amar
Contar-te longamente como perigosas
coisas do mar. Contar-te o amor ardente
e como ilhas que só há verbo amar.
Contar-te longamente longamente.

Amor ardente. Amor ardente. E mar.
Contar-te longamente como misteriosas
maravilhas do verbo navegar.
E mar. Amar: as coisas perigosas.

Contar-te longamente que já foi
num tempo doce coisa amar. E mar.
Contar-te como um

desembarcar nas ilhas misteriosas.
Contar-te o mar ardente e o verbo amar.
E longamente as coisas perigosas.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

CHOVE.É DIA DE NATAL.



Chove. É Dia de Natal

Chove. É dia de Natal. 
Lá para o Norte é melhor: 
Há a neve que faz mal, 
E o frio que ainda é pior. 

E toda a gente é contente 
Porque é dia de o ficar. 
Chove no Natal presente. 
Antes isso que nevar. 

Pois apesar de ser esse 
O Natal da convenção, 
Quando o corpo me arrefece 
Tenho o frio e Natal não. 

Deixo sentir a quem quadra 
E o Natal a quem o fez, 
Pois se escrevo ainda outra quadra 
Fico gelado dos pés. 

Fernando Pessoa, in 'Cancioneiro' 

UM BOM NATAL A TODOS


sexta-feira, 25 de novembro de 2016

O MEDO DE SER LIVRE!!!!!!


"Queremos transformar o mundo e somos incapazes de nos transformar a nós próprios. Queremos ser livres, fazer a nossa vontade, e a todo momento arranjamos desculpas para reprimir nossos desejos. E o pior é que nos convencemos com as nossas próprias desculpas, deixamos de ser lúcidos. Só covardia. É medo de nos enfrentarmos, é um medo que nos ficou do tempo em que temíamos a Deus, ou o pai ou o professor, é sempre o mesmo agente repressivo. Somos uns alienados. O escravo era totalmente alienado. Nós somos piores, porque nos alienamos a nós próprios. Há correntes que já se quebraram mas continuamos a transportá-las conosco, por medo de as deitarmos fora e depois nos sentirmos nus".
(Fala do Comandante Sem Medo para Ondina em Mayombe, Pepetela)
“Ils me dirent, ‘signe toi,’
Mais je n'ai pas peur; (...)
Oh, the wind, the wind is blowing,
Through the graves the wind is blowing,
Freedom soon will come;
Then we'll come from the shadows.”
(The Partisan, LEONARD COHEN)
Rubia, José avisem o pessoal que a obra amanhã será Mayombe. 

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

FOLHAS MORTAS!!!!!


FOLHAS CAÍDAS
Os meus pensamentos
são como as folhas de uma árvore
que tem a minha idade .
Enquanto umas folhas caem
outras há
que num tempo vão nascer .
Saem idênticas
mas em posições diferentes
conforme o que o vento
fez aos ramos .
Umas desaparecem
outras trazem vida
e a árvore é sempre a mesma .
Envelheceu , mas não morre .
Tem raízes que a sustentam
Tem paz e amor
Tem poesia .
Não a cortem
nem a queimem !
Tereis a sombra
e a luz do seu ser .
Tereis a paz
Tereis a vida .
Rui Pina
(reservados direitos de autor nos termos da lei )
SUBLINHO TOTALMENTE

sábado, 8 de outubro de 2016

COISA AMAR



Coisa Amar

Contar-te longamente as perigosas
coisas do mar. Contar-te o amor ardente
e as ilhas que só há no verbo amar.
Contar-te longamente longamente.

Amor ardente. Amor ardente. E mar.
Contar-te longamente as misteriosas
maravilhas do verbo navegar.
E mar. Amar: as coisas perigosas.

Contar-te longamente que já foi
num tempo doce coisa amar. E mar.
Contar-te longamente como doi

desembarcar nas ilhas misteriosas.
Contar-te o mar ardente e o verbo amar.
E longamente as coisas perigosas.
Manuel Alegre

sábado, 1 de outubro de 2016

PARA ATRAVESSAR CONTIGO O DESERTO DO MUNDO!!!!!!!



PARA ATRAVESSAR CONTIGO O DESERTO DO MUNDO
Para atravessar contigo o deserto do mundo
Para enfrentarmos juntos o terror da morte
Para ver a verdade para perder o medo
Ao lado dos teus passos caminhei
Por ti deixei meu reino meu segredo
Minha rápida noite meu silêncio
Minha pérola redonda e seu oriente
Meu espelho minha vida minha imagem
E abandonei os jardins do paraíso
Cá fora à luz sem véu do dia duro
Sem os espelhos vi que estava nua
E ao descampado se chamava tempo
Por isso com teus gestos me vestiste
E aprendi a viver em pleno vento
Sophia de Mello Breyner Andresen
Livro Sexto (1962)

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

QUANDO A PRIMAVERA VIER!!!!!


Quando vier a Primavera,
Se eu já estiver morto,
As flores florirão da mesma maneira
E as árvores não serão menos verdes que na Primavera passada.
A realidade não precisa de mim.
Sinto uma alegria enorme
Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma
Se soubesse que amanhã morria
E a Primavera era depois de amanhã,
Morreria contente, porque ela era de.
08pois de amanhã. /
Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir senão no seu tempo?
Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo;
E gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse.
Por isso, se morrer agora, morro contente,
Porque tudo é real e tudo está certo.
Podem rezar latim sobre o meu caixão, se quiserem.
Se quiserem, podem dançar e cantar à roda dele.
Não tenho preferências para quando já não puder ter preferências.
O que for, quando for, é que será o que é.
Alberto Caeiro, in "Poemas Inconjuntos"
Heterónimo de Fernando


QUANDO A PRIMAVERA VIER.......

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

TROMBETA.

Ah, como hei-de encontrá-lo? Quem errou
A vinda 

Trombeta revisitado!
"A criança que fui chora na estrada.
Deixei-a ali quando vim ser quem sou;
Mas hoje, vendo que o que sou é nada,
Quero ir buscar quem fui onde ficou.
tem a regressão errada.
Já não sei de onde vim nem onde estou.
De o não saber, minha alma está parada.
Se ao menos atingir neste lugar
Um alto monte, de onde possa enfim
O que esqueci, olhando-o, relembrar,
Na ausência, ao menos, saberei de mim,
E, ao ver-me tal qual fui ao longe, achar
Em mim um pouco de quando era assim."
Fernando Pessoa
in Novas Poesias Inéditas.

sábado, 10 de setembro de 2016


SONETO PRESENTE.



Soneto presente
Não me digam mais nada senão morro
aqui neste lugar dentro de mim
a terra de onde venho é onde moro
o lugar de que sou é estar aqui.

Não me digam mais nada senão falo
e eu não posso dizer eu estou de pé.
De pé como um poeta ou um cavalo
de pé como quem deve estar quem é.
Aqui ninguém me diz quando me vendo
a não ser os que eu amo os que eu entendo
os que podem ser tanto como eu.
Aqui ninguém me põe a pata em cima
porque é de baixo que me vem acima
a força do lugar que fôr o meu
José Carlos Ary dos Santos

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

PARA VIVER!!!!!!


PARA VIVER "LEVE" CADA DIA DE SETEMBRO __________
Leve Consigo Apenas Coisas Boas Que Alimente Sua Alma,
Que Te Dê Calmaria. Paz.
Leve Os Risos Que Você Espalhou As "Fotos" De Coisas Belas
Que Seu Coração Registrou.
Leve A Ternura Dos Abraços Amigo.
O Brilho Nos Olhos De Tudo Que Você Viu Com Amor E Amou.
Leve A Dose Da "Recarga" Da Fé Que Se Acumulou.
A Esperança Que Te Moveu Durante O Dia.
Leve A Prece Que Sua Mente Criou...E Ore.
Leve Deus Em Seu Coração...Juntinho De Você...Sempre."

_______Luandrade