sexta-feira, 26 de agosto de 2016

SONETO DO AMIGO.



SONETO DO AMIGO
Enfim, depois de tanto erro passado
Tantas retaliações, tanto perigo
Eis que ressurge noutro o velho amigo 
Nunca perdido, sempre reencontrado.
É bom sentá-lo novamente ao lado
Com olhos que contêm o olhar antigo
Sempre comigo um pouco atribulado
E como sempre singular comigo.
Um bicho igual a mim, simples e humano
Sabendo se mover e comover
E a disfarçar com o meu próprio engano.
O amigo: um ser que a vida não explica
Que só se vai ao ver outro nascer
E o espelho de minha alma multiplica...
Vinícius de Moraes.
A TODOS UM BOM F.DE SEMANA

sábado, 20 de agosto de 2016

PÉROLA DO ATLANTICO



PÉROLA DO ATLÂNTICO

Olho para o meu eu e sei
Tenho-te na minha existência
Cheia de saudade, sempre te recordarei
Meu nascimento e adolescência
Daquela pérola no atlântico nascida
Filha de Angola querida
Entre o mar e a baía
Destemidamente construída
Feita de tão pura beleza
Tu … LOBITO minha bela cidade
Que fortaleces meu coração
Abençoaste-me com a tua naturalidade
Cheia de vaidade a tua cidadania
É a minha saudade cheia de alegria
Tens marginal, és litoral
Sinto o teu cheiro tropical
Nas ondas da tua maresia
Resplandeces cheia de luz
No deslumbramento do amanhecer
Do por do sol que te enaltece


A:D.

terça-feira, 16 de agosto de 2016

HOJE NÃO SOU.....





Hoje não sou

Hoje não sou
as margens que te enlaçam
como ninfa mareante,
a vogar arrebatada,
nua e pura, sem miragens,
na corrente do teu rio cristalino,
nem a água que corre sagaz
na pele do teu corpo ainda moço.
Hoje não sou o olhar atrevido
à janela da tua procura
no fundo chão da verdade,
nem gesto de pássaro errante
na tua rota aparente
de gazela perdida,
a viajar acordada na distância
que te aparta de mim.
Hoje não sou fome nem sede,
alvoroço, desejo ou ardor.
Muito menos o bombeiro incendiário
do teu acirrado fulgor,
ou mente de boca insana
que percorre, consistente,
a carne dos teus loucos segredos.
Hoje sou o silêncio
que escuta na concha
o mar do teu grito,
sou o sussurro do vento
sem distâncias
que te enroupa de concórdia,
sou o murmúrio da chuva miudinha
que te chama para a margem certa
num rio de janelas luminosas.
NILSON.BARCELLI

domingo, 14 de agosto de 2016

PRINCIPALMENTE!!!!!



Principalmente saber o que me diz a minha paixão
Para poder falar com o meu coração
E entender uma parte do meu eu
Realizar meu sonho: Conquistar também o teu
Eu gostaria de conhecer
Todo o significado dum nobre sentimento
Como o sol que tem o seu poente
E o amanhã com o seu magico amanhecer
Eu gostaria de fortalecer
Teus segredos e vivências do teu amanhã
Sacando dum génio, todas as magias
Colorindo-te de amor e puras fantasias
Fazendo-te acreditar
O nascimento do teu renascer

Analili, 18/04/2013
 

quarta-feira, 10 de agosto de 2016


EU ERA A EVA!!!!!



Eu era a Eva
Criada para a felicidade de Adão
Mais tarde fui Maria
Dando à luz a...quele
Que traria a salvação
Mas isso não bastaria
Para eu encontrar perdão.
Passei a ser Amélia
A mulher de verdade
Para a sociedade
Não tinha a menor vaidade
Mas sonhava com a igualdade.
Muito tempo depois decidi:
Não dá mais!
Quero minha dignidade
Tenho meus ideais!
Hoje não sou só esposa ou filha
Sou pai, mãe, arrimo de família
Sou caminhoneira, taxista,
Piloto de avião, policial feminina,
Operária em construção ..
Ao mundo peço licença
Para atuar onde quiser
Meu sobrenome é COMPETÊNCIA
E meu nome é MULHER !!!
(O Autor é Desconhecido, mas um verdadeiro sábio)

sábado, 30 de julho de 2016

ESTAÇÃO DE SÃO BENTO.(PORTO)










ESTAÇÃO DE SÃO BENTO
Praça de Almeida Garret, no centro da cidade do Porto
Entrou ao serviço no dia 7 de Novembro de 1896, muito embora só sido inaugurada oficialmente em só em 5 de Outubro de 1916.
«A Estação é célebre pelos seus painéis de azulejos, de temática histórica. Cobrindo uma superfície de cerca de 551 metros quadrados, representam, principalmente, cenas passadas no Norte do país, estando retratados, entre outras cenas, o Torneio de Arcos de Valdevez, a apresentação de Egas Moniz com os filhos ao Rei Afonso VII de Leão e Castela, no Século XII, a entrada de D. João I e de D. Filipa de Lencastre no Porto, em 1387, e a Conquista de Ceuta, em 1415; um friso colorido, no átrio, dedica-se à história dos transportes em Portugal, concluindo com a inauguração dos caminhos de ferro. Foram instalados entre 1905 e 1906 pelo artista Jorge 

terça-feira, 26 de julho de 2016

SER AVÓ.......




Teve tantos desenganos!

Ficou branquinha, branquinha,

Com os desgostos humanos.

Hoje, na sua cadeira,

Repousa, pálida e fria,

Depois de tanta canseira:

E cochila todo o dia,

E cochila a noite inteira.

Às vezes, porém, o bando

Dos netos invade a sala . . .

Entram rindo e papagueando:

Este briga, aquele fala,

Aquele dança, pulando . . .

A velha acorda sorrindo,

E a alegria a transfigura;

Seu rosto fica mais lindo,

Vendo tanta travessura,

E tanto barulho ouvindo.

Chama os netos adorados,

Beija-os, e, tremulamente,

Passa os dedos engelhados,

Lentamente, lentamente,

Por seus cabelos, doirados.

Fica mais moça, e palpita,

E recupera a memória,

Quando um dos netinhos grita:

"Ó vovó! conte uma história!

Conte uma história bonita!"

Então, com frases pausadas,

Conta historias de quimeras,

Em que há palácios de fadas,

E feiticeiras, e feras,

E princesas encantadas . . .

E os netinhos estremecem,

Os contos acompanhando,

E as travessuras esquecem,

— Até que, a fronte inclinando

Sobre o seu colo, adormecem . . .

AVÓ SINTO TANTA SAUDADE!!!!

sexta-feira, 22 de julho de 2016

LEMBRANÇAS



LEMBRANÇAS
"Era um tempo
de aves brancas
sulcando o céu
como estradas de luz
Um tempo
onde os silêncios
cantando
a esperança e os sonhos
te desenhavam sensualmente
Vinhas
com as mãos a abarrotar
de estrelas
e eu te esperava
com o orvalho da noite
e o alvorecer das rosas
…urgentemente"

LUIZA  CAETANO
PINTORA E ESCRITORA

quarta-feira, 13 de julho de 2016

OS TEUS PÉS!!!!!



Os teus pés
Quando não posso contemplar teu rosto,
contemplo os teus pés.
Teus pés de osso arqueado,
teus pequenos pés duros.
Eu sei que te sustentam
e que teu doce peso
sobre eles se ergue.
Tua cintura e teus seios,
a duplicada púrpura
dos teus mamilos,
a caixa dos teus olhos
que há pouco levantaram vôo,
a larga boca de fruta,
tua rubra cabeleira,
pequena torre minha.
Mas se amo os teus pés
é só porque andaram
sobre a terra e sobre
o vento e sobre a água,
até me encontrarem."
Pablo Neruda


segunda-feira, 11 de julho de 2016

VIVA PORTUGAL



Heróis do mar, nobre povo,
Nação valente, imortal,
Levantai hoje de novo
O esplendor de Portugal!
Entre as brumas da memória,
Ó Pátria sente-se a voz
Dos teus egrégios avós,
Que há-de guiar-te à vitória!

Às armas, às armas!
Sobre a terra, sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela Pátria lutar
Contra os canhões marchar, marchar!

Desfralda a invicta Bandeira,
À luz viva do teu céu!
Brade a Europa à terra inteira:
Portugal não pereceu
Beija o solo teu jucundo
O Oceano, a rugir d'amor,
E teu braço vencedor
Deu mundos novos ao Mundo!

Às armas, às armas!
Sobre a terra, sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela Pátria lutar
Contra os canhões marchar, marchar!

Saudai o Sol que desponta
Sobre um ridente porvir;
Seja o eco de uma afronta
O sinal do ressurgir.
Raios dessa aurora forte
São como beijos de mãe,
Que nos guardam, nos sustêm,
Contra as injúrias da sorte.

Às armas, às armas!
Sobre a terra, sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela Pátria lutar
Contra os canhões marchar, marchar!

Heróis do mar, nobre povo,
Nação valente, imortal,
Levantai hoje de novo
O esplendor de Portugal!
Entre as brumas da memória,
Ó Pátria sente-se a voz
Dos teus egrégios avós,
Que há-de guiar-te à vitória!

Às armas, às armas!
Sobre a terra, sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela Pátria lutar
Contra os canhões marchar, marchar!

DO AMIGO
EDUARDO CASANOVA.

quinta-feira, 30 de junho de 2016

TINHA OS GESTOS INOCENTES....





Tinha os gestos inocentes,
Seus olhos riam no fundo.
Mas invisíveis serpentes
Faziam-na ser do mundo.
Tinha os gestos inocentes.

Aqui tudo é paz e mar.
Que longe a vista se perde
Na solidão a tornar
Em sombra o azul que é verde!
Aqui tudo é paz e mar.

Sim, poderia ter sido...
Mas vontade nem razão
O mundo têm conduzido
A prazer ou conclusão.
Sim, poderia ter sido...

Agora não esqueço e sonho.
Fecho os olhos, oiço o mar
E de ouvi-lo bem, suponho
Que vejo azul a esverdear.
Agora não esqueço e sonho.

Não foi propósito, não.
Os seus gestos inocentes
Tocavam no coração
Como invisíveis serpentes.
Não foi propósito, não.

Durmo, desperto e sozinho.
Que tem sido a minha vida?
Velas de inútil moinho —
Um movimento sem lida...
Durmo, desperto e sozinho.

Nada explica nem consola.
Tudo está certo depois.
Mas a dor que nos desola,
A mágoa de um não ser dois —
Nada explica nem consola.

~~


29 - 3 - 1929

Fernando Pessoa

quinta-feira, 23 de junho de 2016

QUANDO EU NASCI.....23/06/ ÁS 3H.


Quando eu nasci,
ficou tudo como estava,
Nem homens cortaram veias,
nem o Sol escureceu,
nem houve Estrelas a mais…
Somente,
esquecida das dores,
a minha Mãe sorriu e agradeceu.
Quando eu nasci,
não houve nada de novo
senão eu.
As nuvens não se espantaram,
não enlouqueceu ninguém…
P’ra que o dia fosse enorme,
bastava
toda a ternura que olhava
nos olhos de minha Mãe…
José Régio

quinta-feira, 16 de junho de 2016

HÁ PALAVRAS QUE NOS BEIJAM........


Há Palavras que Nos Beijam

Há palavras que nos beijam 
Como se tivessem boca. 
Palavras de amor, de esperança, 
De imenso amor, de esperança louca. 

Palavras nuas que beijas 
Quando a noite perde o rosto; 
Palavras que se recusam 
Aos muros do teu desgosto. 

De repente coloridas 
Entre palavras sem cor, 
Esperadas inesperadas 
Como a poesia ou o amor. 

(O nome de quem se ama 
Letra a letra revelado 
No mármore distraído 
No papel abandonado) 

Palavras que nos transportam 
Aonde a noite é mais forte, 
Ao silêncio dos amantes 
Abraçados contra a morte. 

Alexandre O'Neill, in 'No Reino da Dinamarca'

sexta-feira, 10 de junho de 2016

DIA DE PORTUGAL.

Hoje é Dia de Portugal! Aqui deixo as palavras luminosas de Sophia de Mello Breyner Andresen! E Viva Portugal!
Pátria
Por um país de pedra e vento duro
Por um país de luz perfeita e clara
Pelo negro da Terra e pelo branco do muro

Pelos rostos de silêncio e de paciência
Que a miséria longamente desenhou
Rente aos ossos com toda a exactidão
Dum longo relatório irrecusável

E pelos rostos iguais ao sol e ao vento
E pela limpidez das tão amadas
Palavras sempre ditas com paixão
Pela cor e pelo peso das palavras
Pelo concreto silêncio limpo das palavras
Donde se erguem as coisas nomeadas
Pela nudez das palavras deslumbradas

-Pedra rio vento casa
Pranto dia canto alento
Espaço raiz e água
Ó minha pátria e meu centro

Me dói a lua me soluça o mar

AMIZADES





A gente se perde aos pouquinhos,
se afastando de amizades verdadeiras,
de amores eternos, de abraço de mãe,
de carinho de gente que te conhece de
verdade. E quando faz o caminho de
volta, percebe que seu cantinho estava
guardado na vida de cada um, que os
braços continuavam estendidos, o colo
pronto, o riso fácil e a casa segura.
- Renata Fagundes - 

sábado, 4 de junho de 2016

UM TEXTO.


A LÓGICA PORTUGUESA É DIFERENTE DA DO BRASILEIRO
Brasileiro faz piada com português por não entender que os dois povos têm lógicas diferentes. O português é mais literal, cultiva um preciosismo de sintaxe. Veja só:
Uma brasileira dirigia por Portugal, quando viu um carro com a porta de trás aberta. Solidária, conseguiu emparelhar e avisou:
- A porta está aberta!
A mulher que dirigia conferiu o problema e respondeu irritada:
- Não, senhora. Ela está mal fechada!

Outro brasileiro estava em Lisboa e numa sexta-feira perguntou a um comerciante se ele fechava no sábado. O vendedor respondeu que não. No sábado, o brasileiro voltou e deu com a cara na porta. Na segunda-feira, cobrou irritado do português:
- O senhor disse que não fechava!
O homem respondeu :
- Mas como vamos fechar se não abrimos?

Um jornalista hospedou-se há um mês num hotel em Évora. Na hora de abrir a água da pia se atrapalhou, pois na torneira azul estava escrito 'F' e na outra, preta, também 'F'. Confuso, quis saber da camareira o porquê dos dois 'efes'. A moça olhou-o com cara de espanto e respondeu, como quem fala com uma criança:
- Ora pois, fria e fervente.

Em Lisboa, a passeio, resolveu comprar uma gravata. Entrou numa loja do Chiado e, além da gravata, comprou ainda um par de meias, duas camisas sociais, uma polo esporte, um par de luvas e um cinto. Chorou um descontinho e pediu que fechasse a conta.
Viu então que o vendedor pegou um lápis e papel e se pôs a fazer contas, multiplicando, somando, tirando porcentagem de desconto, e aí intrigado, perguntou:
- O senhor não tem máquina de calcular?
- Infelizmente não trabalhamos com eletrônicos, mas o senhor pode encontrar na loja justamente aqui ao lado...

Há ainda a história de um que morou por um ano em Estoril e contou que, lá num certo dia, meio perdido na cidade, perguntou ao português:
- Será que posso entrar nesta rua para ir ao aeroporto?
- Poder o senhor pode, mas de jeito algum vai chegar ao aeroporto...

Um turista brasileiro alugou um carro e decidiu ir à Espanha. Tomou uma estrada sem muita convicção e encontrando à beira da estrada um camponês, perguntou:
- Amigo esta estrada vai para a Espanha?
E o camponês respondeu:
- Se ela for vai nos fazer muita falta por cá.

Um grupo de brasileiros tendo terminado de almoçar quis tomar café.
O primeiro disse:
- Garçon, um café.
O segundo disse:
- dois, levantando os dedos.
O terceiro, apressadamente, disse:
- Três, e por fim o quarto disse:
- Quatro.
O garçon trouxe 10 cafezinhos. Ao ser indagado por que trouxera tanto café para quatro pessoas, ele respondeu:
- Ora um pediu um, outro dois, outro três e o outro quatro faça a conta e vejam se não são 10!!

Mais uma:
O brasileiro examina o cardápio em um restaurante de Lisboa e chama o garçon para tirar uma dúvida.
- Amigo, como é que vem este Filé à Moda da Casa?
Ao que o garçon responde sem pestanejar
- Sou eu mesmo que trago.

E a melhor....O casal de brasileiros entra num restaurante na rua do Diário, que tem uma vista bonita para o rio e pergunta:
- Podemos sentar naquela mesa que tem a vista para o rio?
No que o garçon responde:
- Acho melhor os senhores sentarem nas cadeiras!!!
via Jorge Soares



segunda-feira, 30 de maio de 2016




Da maneira mais discreta que eu souber.
Sem tirar-te a liberdade, sem jamais te sufocar.
Sem forçar tua vontade.
Sem falar, quando for hora de calar.
E sem calar, quando for hora de falar.
Nem ausente, nem presente por demais.
Simplesmente, calmamente, ser-te paz.
É bonito ser amor amigo, mas confesso é tão difícil aprender!
E por isso eu te suplico paciência.
Vou encher este teu rosto de lembranças,
Dá-me tempo, de acertar nossas distâncias..."
Fernando Pessoa