sexta-feira, 28 de novembro de 2014
sexta-feira, 21 de novembro de 2014
AMOR É VIDA!!!!
sábado, 15 de novembro de 2014
PERDI OS MEUS FANTÁSTICOS CASTELOS!!!
Florbela Espanca, in "A Mensageira das Violetas"
sexta-feira, 7 de novembro de 2014
A FONTE!!!!
segunda-feira, 27 de outubro de 2014
ARTE DE SER AMADA...
Arte de Ser
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Eu sou líquida mas recolhida
no íntimo estanho de uma jarra e em tua boca um clavicórdio quer recordar-me que sou ária
aérea vária porém sentada
perfil que os flamingos voaram. Pelos canteiros eu conto os gerânios de uns tantos anos que nos separam.
Teu amor de planta submarina
procura um húmido lugar. Sabiamente preencho a piscina que te dê o hábito de afogar.
Do que não viste a minha idade
te inquieta como a ciência do mundo ser muito velho três vezes por mim rodeado sem saber da tua existência.
Pensas-me a ilha e me sitias
de violinos por todos os lados e em tua pele o que eu respiro é um ar de frutos sossegados.
Natália Correia, in "O Vinho e a Lira"
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sexta-feira, 24 de outubro de 2014
ESTRADA BRANCA!!
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A Estrada BrancaAtravessei contigo a minuciosa tarde deste-me a tua mão, a vida parecia difícil de estabelecer acima do muro alto folhas tremiam ao invisível peso mais forte Podia morrer por uma só dessas coisas que trazemos sem que possam ser ditas: astros cruzam-se numa velocidade que apavora inamovíveis glaciares por fim se deslocam e na única forma que tem de acompanhar-te o meu coração bate José Tolentino Mendonça, in 'A Estrada Branca' |
quinta-feira, 16 de outubro de 2014
TU JÁ NÃO ÉS TU...
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| Pintura em tela de L:C: EU VI-TE AO VIRAR DA ESQUINA. ESTÁS DIFERENTE! LEMBREI-ME DE UNS OLHOS CÔR DE AVELÃ QUE ME OBSERVAVAM TOTALMENTE. MAS... TU JÁ NÃO ÉS TU EU SOU SEMPRE EU... MAGOASTE-ME COM A TUA SOBERANIA DE ALTIVEZ E ARROGÃNCIA. QUERIAS MOSTRAR AOS OUTROS QUE ERAS IMPORTANTE MAS... TU JÁ NÃO ÉS TU EU SOU SEMPRE EU HOJE PASSO POR TI,SOU A MESMA, SIMPLES E SEM PRECONCEITOS NÃO SEI SE TE AMO AINDA OU TE ODEIO FORTEMENTE! FALAR MAIS,SERIA MAGOAR-ME A MIM PRÓPRIA E NÃO MERECES. CAI UMA LÁGRIMA NO SILÊNCIO DA NOITE,PORQUE,AINDA TE AMO. MAS... TU JÁ NÃO ÉS TU EU,SOU SEMPRE EU... |
sexta-feira, 10 de outubro de 2014
O MEU ESPELHO!!!
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ESPELHO MEU QUEM É MAIS AMIGO DO QUE EU?
MEU VELHO,MEU COMPANHEIRO E ÚNICO
VAMOS FALAR UM POUCO DA NOSSA CUMPLICIDADE
TALVEZ ASSIM,POSSAMOS MATAR A SAUDADE.
LEMBRAS-TE QUANDO FUI AO PRIMEIRO BAILE?
MUITO CONTENTE.DISSESTE-ME:
"VAIS LINDA!!!"
SEREI UMA PRINCESA NUM CONTO DE FADAS?
RECORDAS-TE QUANDO TE MOSTREI A FOTOGRAFIA
DO MEU PRIMEIRO NAMORADO E ,VI PELA TUA CARA
QUE NÃO GOSTASTE NADA,FOI UM RIR ATÉ ACABAR.
GUARDEI-TE,E FOMOS PARA O TAL PAÍS TROPICAL...
COMO SEMPRE,FOSTE COLOCADO NO MEU QUARTO
NÃO TE DISPENSAVA!!
ERAS O MEU AMIGO DAS ALEGRIAS E DAS TRISTEZAS
HOJE ESTAMOS AMBOS DESFEITOS
SEGURA-ME NAS MÃOS SOMENTE
ENQUANTO O FIZERES COM O TEU CARINHO
PARTIREI CONTIGO EM PEDACINHOS.
BETINHA CORREIA
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sexta-feira, 3 de outubro de 2014
MEU PAI!!!
AO MEU PAI ![]() NASCEU A 03/10/1913 |
As tuas mãos tem grossas veias como cordas azuis
sobre um fundo de manchas já cor de terra — como são belas as tuas mãos — pelo quanto lidaram, acariciaram ou fremiram na nobre cólera dos justos...
Porque há nas tuas mãos, meu velho pai,
essa beleza que se chama simplesmente vida. E, ao entardecer, quando elas repousam nos braços da tua cadeira predileta, uma luz parece vir de dentro delas...
Virá dessa chama que pouco a pouco, longamente,
vieste alimentando na terrível solidão do mundo, como quem junta uns gravetos e tenta acendê-los contra o vento? Ah, Como os fizeste arder, fulgir, com o milagre das tuas mãos.
E é, ainda, a vida
que transfigura das tuas mãos nodosas... essa chama de vida — que transcende a própria vida... e que os Anjos, um dia, chamarão de alma...
(Mario Quintana)
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sexta-feira, 26 de setembro de 2014
CANÇÃO DE OUTONO
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Canção de Outono "Perdoa-me, folha seca, não posso cuidar de ti. Vim para amar neste mundo, e até do amor me perdi. De que serviu tecer flores pelas areias do chão se havia gente dormindo sobre o próprio coração? E não pude levantá-la! Choro pelo que não fiz. E pela minha fraqueza é que sou triste e infeliz. Perdoa-me, folha seca! Meus olhos sem força estão velando e rogando aqueles que não se levantarão... Tu és folha de outono voante pelo jardim. Deixo-te a minha saudade - a melhor parte de mim. E vou por este caminho, certa de que tudo é vão. Que tudo é menos que o vento, menos que as folhas do chão..." Cecília Meireles |
sexta-feira, 19 de setembro de 2014
SEU SORRISO...
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Deixe-me acreditar...
Que e luz que ofusca em seu sorriso. Nao e apenas o brilho do qual preciso. Para me orientar em sua direcao. Mas e tambem, este esbocar de dentes. Como um agrupamendo de estrelas cadentes. Caindo chamegantes no meu coracao. Deixe-me querer... Que o sorriso terno que seus labios torneiam Saiam dos meus olhos que atentos vagueiam. Para acoplarem-se aos meus labios sedentos. Que seu sorriso se perca dos olhos meus. Quando meus labios colarem-se aos seus. Tornando reais os meus pensamentos. Deixe-me sentir... Que este sorriso que traz-me a juventude. Va de encontro aa minha virtude. E como crianca, me faca sonhar. E nao so pensar que seu sorriso expressivo. Mais que ofuscante, mais que lascivo. Me encantem para eu nunca mais acordar. Deixe-me olhar... Mais uma vez esse sorriso encantado. Vindo despir-me em um beijo molhado. De mel, de orvalho ao amanhecer. E quando encontrarem-se nossos sorrisos. Entre nossos labios buscando, indecisos. Encontrem a paz do adormecer. Autor: Jose Luiz Rabello Filho. |
quinta-feira, 11 de setembro de 2014
LIBERTAÇÃO...
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Há almas presas, doridas, encarceradas,
Que destas cadeias, fitam a imensidão,
Cantam a triste sina cruel, aprisionadas;
Nuvens angustiadas, retidas nesta prisão!
Almas vibrantes gorjeiam ora inquietas,
São sinfonias plangentes, mas delicadas.
Almas tristonhas e tantas almas desertas;
Nesta clausura, dormentes e desgraçadas!
Já libertas revoam para outros mundos.
São doces anseios que dentro da alma vão,
Para os céus, risonhos, lindos, fecundos!
São livres agora, revoam na imensidão!
São livres agora no mais sublime além,
Livres hão de voar e levam meu coração!
ANTONIO LIDIO GOMES
sexta-feira, 5 de setembro de 2014
sexta-feira, 29 de agosto de 2014
Boémio Demodê
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Vou fazer uma seresta,
Moderninha como quê,
Misturar os tratamentos,
Juntar o tú com você,
Eu não quero que me chamem,
Um boêmio demodê.
Com acordes dissonantes,
Sem marquise e sem calçada,
Sem culto de mulher amada,
Na penumbra do balcão,
Seresta ultra moderna,
Sem viola e violão.
Minha seresta,
Não terá pinga na rua,
Não terá luar nem lua,
E nem lampião de gás,
Porque a lua,
Nesses tempos agitados
Já não é dos namorados,
Romantismo não tem mais.
Minha seresta,
Nesta era espacial,
Vai se tornar imortal,
Na voz daquele ou daquela,
Minha seresta,
Vai ganhar placa de bronze,
Pois nem mesmo apolo onze,
É mais moderno que ela.
(Nelson Gonçalves)
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quinta-feira, 21 de agosto de 2014
VÊM...
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sábado, 16 de agosto de 2014
PASSADO!!!!
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"Contei meus anos e descobri
Que terei menos tempo para viver do que já tive até agora Tenho muito mais passado do que futuro Sinto-me como aquele menino que recebeu uma bacia de jabuticabas As primeiras, ele chupou displicentemente Mas, percebendo que faltam poucas, rói o caroço.
Já não tenho tempo para lidar com mediocridades
Inquieto-me com os invejosos tentando destruir quem eles admiram Cobiçando seus lugares, talento e sorte Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas As pessoas não debatem conteúdo, apenas rótulos Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos Quero a essência... Minha alma tem pressa Sem muitas jabuticabas na bacia Quero viver ao lado de gente humana, muito humana Que não foge de sua mortalidade Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade." |
sexta-feira, 8 de agosto de 2014
sexta-feira, 1 de agosto de 2014
O BEIJO...
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«Não te beijo e tenho ensejo Para um beijo te roubar; O beijo mata o desejo E eu quero-te desejar.» Sabendo que deves ter Milhões deles p'ra me dar, Teria que enlouquecer Para um beijo te roubar. E como em teus lábios puros, Guardas tudo quanto almejo, Doutros desejos futuros O beijo mata o desejo. Roubando um, mil te daria; O que não posso é jurar Que não te aborreceria, E eu quero-te desejar! António Aleixo, in "Este Livro que Vos Deixo..." |
sexta-feira, 25 de julho de 2014
O CANSAÇO
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Cansaço
O que há em mim é sobretudo cansaço — Não disto nem daquilo, Nem sequer de tudo ou de nada: Cansaço assim mesmo, ele mesmo, Cansaço. A subtileza das sensações inúteis, As paixões violentas por coisa nenhuma, Os amores intensos por o suposto em alguém, Essas coisas todas — Essas e o que falta nelas eternamente —; Tudo isso faz um cansaço, Este cansaço, Cansaço. Há sem dúvida quem ame o infinito, Há sem dúvida quem deseje o impossível, Há sem dúvida quem não queira nada — Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles: Porque eu amo infinitamente o finito, Porque eu desejo impossivelmente o possível, Porque quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser, Ou até se não puder ser... E o resultado? Para eles a vida vivida ou sonhada, Para eles o sonho sonhado ou vivido, Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto... Para mim só um grande, um profundo, E, ah com que felicidade infecundo, cansaço, Um supremíssimo cansaço, Íssimno, íssimo, íssimo, Cansaço... Álvaro de Campos, in "Poemas" |
sexta-feira, 18 de julho de 2014
Da Mais Alta Janela da Minha Casa''
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Da Mais Alta Janela da Minha Casa''
Da mais alta janela da minha casa
Com um lenço branco digo adeus
Aos meus versos que partem para a Humanidade.
E não estou alegre nem triste.
Esse é o destino dos versos.
Escrevi-os e devo mostrá-los a todos
Porque não posso fazer o contrário
Como a flor não pode esconder a cor,
Nem o rio esconder que corre,
Nem a árvore esconder que dá fruto.
Ei-los que vão já longe como que na diligência
E eu sem querer sinto pena
Como uma dor no corpo.
Quem sabe quem os terá?
Quem sabe a que mãos irão?
Flor, colheu-me o meu destino para os olhos.
Árvore, arrancaram-me os frutos para as bocas.
Rio, o destino da minha água era não ficar em mim.
Submeto-me e sinto-me quase alegre,
Quase alegre como quem se cansa de estar triste.
Ide, ide de mim!
Passa a árvore e fica dispersa pela Natureza.
Murcha a flor e o seu pó dura sempre.
Corre o rio e entra no mar e a sua água é sempre a que foi sua.
Passo e fico, como o Universo.
Alberto Caeiro
(heterónimo de Fernando Pessoa)
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