sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Meus Olhos Vêem Melhor se os Vou Fechando



Meus Olhos Vêem Melhor se os Vou FechandoMeus olhos vêem melhor se os vou fechando. 
Viram coisas de dia e foi em vão, 
mas quando durmo, em sonhos te fitando, 
são escura luz que luz na escuridão. 
Tu cuja sombra faz a sombra clara, 
como em forma de sombras assombravas 
ledo o claro dia em luz mais rara, 
se em sombra a olhos sem visão brilhavas! 
Que benção a meus olhos fora feita 
vendo-te à viva luz do dia bem, 
se a tua sombra em trevas imperfeita 
a olhos sem visão no sono vem! 
    Vejo os dias quais noites não te vendo, 
    e as noites dias claros sonhos tendo. 

William Shakespeare, in "Sonetos (43)"

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

AMOR É VIDA!!!!




Teus olhos têm uma cor
de uma expressão tão divina,
tão misteriosa e triste.
Como foi a minha sina!!!
É uma expressão de saudade
vagando num mar incerto.
Parecem negros de longe...
Parecem azuis de perto...
Mas nem negros nem azuis
são teus olhos meu amor...
Seriam da cor da mágoa,
se a mágoa tivesse cor.
Quando você encontra alguém especial
e se apaixona por essa pessoa,
você começa a construir um relacionamento
com os cuidados de quem constrói uma Maravilha.
Seus materiais básicos são constituídos de muito Amor,
Companheirismo e Dedicação.
Até que um dia algo terrível acontece,
jogando por terra toda sua construção.
É desalentador e faz mesmo pensar
que todo seu trabalho fora em vão.
Mas isso é ledo engano:
se construístes tudo realmente com beleza
e pureza de sentimento, restará ainda uma magnífica Amizade.
Assim como as mais majestosas construções da Humanidade
deixaram suntuosas ruínas das quais cuidamos e admiramos,
a Amizade fruto de um Amor de verdade, deve e merece ser preservada.
AD

sábado, 15 de novembro de 2014

PERDI OS MEUS FANTÁSTICOS CASTELOS!!!



Perdi os Meus Fantásticos CastelosPerdi meus fantásticos castelos 
Como névoa distante que se esfuma... 
Quis vencer, quis lutar, quis defendê-los: 
Quebrei as minhas lanças uma a uma! 

Perdi minhas galeras entre os gelos 
Que se afundaram sobre um mar de bruma... 
- Tantos escolhos! Quem podia vê-los? – 
Deitei-me ao mar e não salvei nenhuma! 

Perdi a minha taça, o meu anel, 
A minha cota de aço, o meu corcel, 
Perdi meu elmo de ouro e pedrarias... 

Sobem-me aos lábios súplicas estranhas... 
Sobre o meu coração pesam montanhas... 
Olho assombrada as minhas mãos vazias... 
Florbela Espanca, in "A Mensageira das Violetas" 

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

A FONTE!!!!

FONTE DE STº ANTONIO
SAO ROMAO SERRA DA ESTRELA
FOTOGRAFIA :JOSÉ FERREIRA

VAMOS Á FONTE BEBER AGUA PURA E FRESCA

DA NASCENTE DO MONDEGUINHO?

LEMBRAS-TE DO QUE FALAVAMOS
SEM SABER O QUE DIZER!!
OS NOSSOS  OLHOS INFANTIS
RIAM E CHORAVAM.


NÓS, SABÍAMOS QUE NOS SEPARAVAM.


POR ONDE ANDAS?


NUNCA MAIS FOSTE Á FONTE DE SANTO ANTONIO?


QUANDO VOLTEI,
NÃO TE ENCONTREI
UMA LÁGRIMA  NA FONTE FICOU!

CORRE MUITO E UM DIA,..
VAIS-ME ENCONTRAR
SENTADA A TE ESPERAR!!!


UM CONTO DE MENINA!


Elisabete Correia

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

ARTE DE SER AMADA...

                                
                           
 Arte de Ser 

POR MOTIVOS DE SAÚDE.O BLOGUE FAZ UM INTERREGNO
MUITO OBRIGADA E ATÉ UM DIA!!!

A ARTE DE SER AMADA

Eu sou líquida mas recolhida
no íntimo estanho de uma jarra
e em tua boca um clavicórdio 
quer recordar-me que sou ária
aérea vária porém sentada
perfil que os flamingos voaram.
Pelos canteiros eu conto os gerânios
de uns tantos anos que nos separam.
Teu amor de planta submarina
procura um húmido lugar.
Sabiamente preencho a piscina
que te dê o hábito de afogar.
Do que não viste a minha idade
te inquieta como a ciência
do mundo ser muito velho
três vezes por mim rodeado
sem saber da tua existência.
Pensas-me a ilha e me sitias
de violinos por todos os lados
e em tua pele o que eu respiro
é um ar de frutos sossegados.
Natália Correia, in "O Vinho e a Lira"

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

ESTRADA BRANCA!!




A Estrada BrancaAtravessei contigo a minuciosa tarde 
deste-me a tua mão, a vida parecia 
difícil de estabelecer acima do muro alto 

folhas tremiam 
ao invisível peso mais forte 

Podia morrer por uma só dessas coisas 
que trazemos sem que possam ser ditas: 
astros cruzam-se numa velocidade que apavora 
inamovíveis glaciares por fim se deslocam 
e na única forma que tem de acompanhar-te 
o meu coração bate 
José Tolentino Mendonça, in 'A Estrada Branca'

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

TU JÁ NÃO ÉS TU...

Pintura em tela de L:C:

EU VI-TE AO VIRAR DA ESQUINA.
ESTÁS DIFERENTE!
LEMBREI-ME DE UNS OLHOS CÔR DE AVELÃ
QUE ME OBSERVAVAM  TOTALMENTE.

MAS...

TU JÁ NÃO ÉS TU
         EU SOU SEMPRE EU...


MAGOASTE-ME COM A TUA SOBERANIA
DE ALTIVEZ E ARROGÃNCIA.
QUERIAS MOSTRAR AOS OUTROS QUE ERAS IMPORTANTE

MAS...

TU JÁ NÃO ÉS TU
      EU  SOU SEMPRE EU

HOJE PASSO POR TI,SOU A MESMA,
SIMPLES E SEM PRECONCEITOS
NÃO SEI SE TE AMO AINDA
OU TE ODEIO FORTEMENTE!

FALAR MAIS,SERIA MAGOAR-ME
A MIM PRÓPRIA E NÃO MERECES.
CAI UMA LÁGRIMA NO SILÊNCIO
DA NOITE,PORQUE,AINDA TE AMO.

MAS...

TU JÁ NÃO ÉS TU
          EU,SOU SEMPRE EU...
ELISABETE CORREIA

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

O MEU ESPELHO!!!


ESPELHO MEU QUEM É MAIS AMIGO DO QUE EU?
MEU VELHO,MEU COMPANHEIRO E ÚNICO 
VAMOS FALAR UM POUCO DA NOSSA CUMPLICIDADE  
TALVEZ ASSIM,POSSAMOS MATAR A SAUDADE.

LEMBRAS-TE QUANDO FUI AO PRIMEIRO BAILE?
MUITO CONTENTE.DISSESTE-ME:
"VAIS LINDA!!!"
SEREI  UMA PRINCESA NUM CONTO DE FADAS?

RECORDAS-TE QUANDO TE MOSTREI A FOTOGRAFIA 
DO MEU PRIMEIRO NAMORADO E ,VI PELA TUA CARA
QUE NÃO GOSTASTE NADA,FOI UM RIR ATÉ ACABAR.

GUARDEI-TE,E FOMOS PARA O TAL PAÍS TROPICAL...
COMO SEMPRE,FOSTE COLOCADO NO MEU QUARTO
NÃO TE DISPENSAVA!!
ERAS O MEU AMIGO DAS ALEGRIAS E DAS TRISTEZAS

HOJE ESTAMOS AMBOS DESFEITOS
SEGURA-ME NAS MÃOS SOMENTE 
ENQUANTO O FIZERES COM O  TEU CARINHO
PARTIREI  CONTIGO EM PEDACINHOS.


BETINHA CORREIA






sexta-feira, 3 de outubro de 2014

MEU PAI!!!



AO MEU PAI

NASCEU A 03/10/1913

As tuas mãos tem grossas veias como cordas azuis
sobre um fundo de manchas já cor de terra
— como são belas as tuas mãos —
pelo quanto lidaram, acariciaram ou fremiram
na nobre cólera dos justos...
Porque há nas tuas mãos, meu velho pai,
essa beleza que se chama simplesmente vida.
E, ao entardecer, quando elas repousam
nos braços da tua cadeira predileta,
uma luz parece vir de dentro delas...
Virá dessa chama que pouco a pouco, longamente,
vieste alimentando na terrível solidão do mundo,
como quem junta uns gravetos e tenta acendê-los contra o vento?
Ah, Como os fizeste arder, fulgir,
com o milagre das tuas mãos.
E é, ainda, a vida
que transfigura das tuas mãos nodosas...
essa chama de vida — que transcende a própria vida...
e que os Anjos, um dia, chamarão de alma...


(Mario Quintana)


sexta-feira, 26 de setembro de 2014

CANÇÃO DE OUTONO


Canção de Outono

"Perdoa-me, folha seca,
não posso cuidar de ti.
Vim para amar neste mundo,
e até do amor me perdi.
De que serviu tecer flores
pelas areias do chão
se havia gente dormindo
sobre o próprio coração?

E não pude levantá-la!
Choro pelo que não fiz.
E pela minha fraqueza
é que sou triste e infeliz.
Perdoa-me, folha seca!
Meus olhos sem força estão
velando e rogando aqueles
que não se levantarão...

Tu és folha de outono
voante pelo jardim.
Deixo-te a minha saudade
- a melhor parte de mim.
E vou por este caminho,
certa de que tudo é vão.
Que tudo é menos que o vento,
menos que as folhas do chão..."



Cecília Meireles 

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

SEU SORRISO...



Deixe-me acreditar...
Que e luz que ofusca em seu sorriso.
Nao e apenas o brilho do qual preciso.
Para me orientar em sua direcao.
Mas e tambem, este esbocar de dentes.
Como um agrupamendo de estrelas cadentes.
Caindo chamegantes no meu coracao.

Deixe-me querer...
Que o sorriso terno que seus labios torneiam
Saiam dos meus olhos que atentos vagueiam.
Para acoplarem-se aos meus labios sedentos.
Que seu sorriso se perca dos olhos meus.
Quando meus labios colarem-se aos seus.
Tornando reais os meus pensamentos.

Deixe-me sentir...
Que este sorriso que traz-me a juventude.
Va de encontro aa minha virtude.
E como crianca, me faca sonhar.
E nao so pensar que seu sorriso expressivo.
Mais que ofuscante, mais que lascivo.
Me encantem para eu nunca mais acordar.

Deixe-me olhar...
Mais uma vez esse sorriso encantado.
Vindo despir-me em um beijo molhado.
De mel, de orvalho ao amanhecer.
E quando encontrarem-se nossos sorrisos.
Entre nossos labios buscando, indecisos.
Encontrem a paz do adormecer.

Autor: Jose Luiz Rabello Filho.
  

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

LIBERTAÇÃO...

LIBERTAÇÃO

Há almas presas, doridas, encarceradas,
Que destas cadeias, fitam a imensidão,
Cantam a triste sina cruel, aprisionadas;
Nuvens angustiadas, retidas nesta prisão!

Almas vibrantes gorjeiam ora inquietas,
São sinfonias plangentes, mas delicadas.
Almas tristonhas e tantas almas desertas;
Nesta clausura, dormentes e desgraçadas!

Já libertas revoam para outros mundos.
São doces anseios que dentro da alma vão,
Para os céus, risonhos, lindos, fecundos!

São livres agora, revoam na imensidão!
São livres agora no mais sublime além,
Livres hão de voar e levam meu coração!


ANTONIO LIDIO GOMES



sexta-feira, 5 de setembro de 2014

DESABAFO




" Que a liberdade seja a nossa própria substância já que viver é ser livre. Porque alguém disse e eu concordo que o tempo cura,que a magoa passa, que a decepção não mata,e que a vida,sempre, sempre continuará..."
Simone Beauvoir


sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Boémio Demodê







Vou fazer uma seresta,
Moderninha como quê,
Misturar os tratamentos,
Juntar o tú com você,
Eu não quero que me chamem,
Um boêmio demodê.

Com acordes dissonantes,
Sem marquise e sem calçada,
Sem culto de mulher amada,
Na penumbra do balcão,
Seresta ultra moderna,
Sem viola e violão.

Minha seresta,
Não terá pinga na rua,
Não terá luar nem lua,
E nem lampião de gás,
Porque a lua,
Nesses tempos agitados
Já não é dos namorados,
Romantismo não tem mais.

Minha seresta,
Nesta era espacial,
Vai se tornar imortal,
Na voz daquele ou daquela,
Minha seresta,
Vai ganhar placa de bronze,
Pois nem mesmo apolo onze,
É mais moderno que ela.



(Nelson Gonçalves)

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

VÊM...


Miguel Torga*
Vem!
Adormece encostada a este braço
Mais débil do que o teu.
Entrega-te despida
Nas mãos de um homem solitário
Que a maldição não deixa
Que possa nem sequer lutar por ti.
Vem,
Sem que eu te chame, ou te prometa a vida.
E sente que ninguém,
No descampado deste mundo, tem
A alma mais guardada e protegida
(*) In "Poesia Completa"
Painting by Andrius Kovelinas


sábado, 16 de agosto de 2014

PASSADO!!!!




"Contei meus anos e descobri
Que terei menos tempo para viver do que já tive até agora
Tenho muito mais passado do que futuro
Sinto-me como aquele menino que recebeu uma bacia de jabuticabas
As primeiras, ele chupou displicentemente
Mas, percebendo que faltam poucas, rói o caroço.

Já não tenho tempo para lidar com mediocridades
Inquieto-me com os invejosos tentando destruir quem eles admiram
Cobiçando seus lugares, talento e sorte
Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas
As pessoas não debatem conteúdo, apenas rótulos
Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos
Quero a essência... Minha alma tem pressa
Sem muitas jabuticabas na bacia
Quero viver ao lado de gente humana, muito humana
Que não foge de sua mortalidade
Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade."
__Ricardo Gondim 

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

O BEIJO...


«Não te beijo e tenho ensejo 
Para um beijo te roubar; 
O beijo mata o desejo 
E eu quero-te desejar.» 

Sabendo que deves ter 
Milhões deles p'ra me dar, 
Teria que enlouquecer 
Para um beijo te roubar. 

E como em teus lábios puros, 
Guardas tudo quanto almejo, 
Doutros desejos futuros 
O beijo mata o desejo. 

Roubando um, mil te daria; 
O que não posso é jurar 
Que não te aborreceria, 
E eu quero-te desejar!    

António Aleixo, in "Este Livro que Vos Deixo..."

sexta-feira, 25 de julho de 2014

O CANSAÇO



Cansaço

O que há em mim é sobretudo cansaço —
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.

A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto em alguém,
Essas coisas todas —
Essas e o que falta nelas eternamente —;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.

Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada —
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...

E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço,
Íssimno, íssimo, íssimo,
Cansaço...

Álvaro de Campos, in "Poemas"
   

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Da Mais Alta Janela da Minha Casa''





Da Mais Alta Janela da Minha Casa''





Da mais alta janela da minha casa
Com um lenço branco digo adeus
Aos meus versos que partem para a Humanidade.
E não estou alegre nem triste.
Esse é o destino dos versos.
Escrevi-os e devo mostrá-los a todos
Porque não posso fazer o contrário
Como a flor não pode esconder a cor,
Nem o rio esconder que corre,
Nem a árvore esconder que dá fruto.

Ei-los que vão já longe como que na diligência
E eu sem querer sinto pena
Como uma dor no corpo.

Quem sabe quem os terá?
Quem sabe a que mãos irão?
Flor, colheu-me o meu destino para os olhos.
Árvore, arrancaram-me os frutos para as bocas.
Rio, o destino da minha água era não ficar em mim.
Submeto-me e sinto-me quase alegre,
Quase alegre como quem se cansa de estar triste.

Ide, ide de mim!
Passa a árvore e fica dispersa pela Natureza.
Murcha a flor e o seu pó dura sempre.
Corre o rio e entra no mar e a sua água é sempre a que foi sua.

Passo e fico, como o Universo.

Alberto Caeiro

(heterónimo de Fernando Pessoa)