quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

BALADA DA NEVE....


Batem leve, levemente, 

como quem chama por mim. 
Será chuva? Será gente? 
Gente não é, certamente 
e a chuva não bate assim.

É talvez a ventania: 
mas há pouco, há poucochinho, 
nem uma agulha bulia 
na quieta melancolia 
dos pinheiros do caminho...

Quem bate, assim, levemente, 
com tão estranha leveza, 
que mal se ouve, mal se sente? 
Não é chuva, nem é gente, 
nem é vento com certeza.

Fui ver. A neve caía 
do azul cinzento do céu, 
branca e leve, branca e fria... 
- Há quanto tempo a não via! 
E que saudades, Deus meu!

Olho-a através da vidraça. 
Pôs tudo da cor do linho. 
Passa gente e, quando passa, 
os passos imprime e traça 
na brancura do caminho...

Fico olhando esses sinais 
da pobre gente que avança, 
e noto, por entre os mais, 
os traços miniaturais 
duns pezitos de criança...

E descalcinhos, doridos... 
a neve deixa inda vê-los, 
primeiro, bem definidos, 
depois, em sulcos compridos, 
porque não podia erguê-los!...

Que quem já é pecador 
sofra tormentos, enfim! 
Mas as crianças, Senhor, 
porque lhes dais tanta dor?!... 
Porque padecem assim?!...



E uma infinita tristeza, 
uma funda turbação 
entra em mim, fica em mim presa. 
Cai neve na Natureza 
- e cai no meu coração

Augusto Gil, 

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Pessoas vão embora de todas as formas:

Rita Mara Lorusso Todeschi

Pessoas vão embora de todas as formas: vão embora da nossa vida, do nosso coração, do nosso abraço, da nossa amizade, da nossa admiração, do nosso país. E, muitas a quem dedicamos um profundo amor, morrem. E continuam imortais dentro da gente. A vida segue: doendo, rasgando, enchendo de saudade... Depois nos dá aceitação, ameniza a falta trazendo apenas a lembrança que não machuca mais: uma frase engraçada, uma filosofia de vida, um jeito tão característico, aquela peculiaridade da pessoa.
Mas pessoas vão embora. As coisas acabam. Relações se esvaem, paixonites escorrem pelo ralo, adeuses começam a fazer sentido. E se a gente sente com estas idas e também vindas, é porque estamos vivos.
Cuidemos deste agora. Muitos já se foram para nos ensinar que a vida é só um bocado de momento que pode durar cem anos ou cinco minutos. E não importa quanto tempo você teve para amar alguém, mas o amor que você investiu durante aquele tempo.
Segundos podem ser eternidades... ou não. Depende da ocasião.
(Marla de Queiroz)

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

CORPO DE ÁGUA!!!

SONI M.POMPI




CORPO DE ÁGUA







"O nosso corpo é a nossa guerra, a nossa paz…

E é na guerra que o meu corpo d´água
em teu corpo de terra se desfaz…

Encharco esse teu corpo sedento
que, aos poucos, absorve de mim o alento,
e é com medo que te esventro,
só com medo…
que te esventro com medo que te vás!

E neste meu corpo d´água que se tenta
pelo teu corpo de terra sedenta
jorra a nascente que te envolve

te preenche e nos devolve a paz



JOAO MORGADO





quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

PELA VERDADE E....


Pela verdade, pelo riso, pela luz, pela beleza,
Pelas aves que voam no olhar de uma criança,
Pela limpeza do vento, pelos actos de pureza,
Pela alegria, pelo vinho, pela música, pela dança,
Pela branda melodia do rumor dos regatos,
Pelo fulgor do estio, pelo azul do claro dia,
Pelas flores que esmaltam os campos, pelo sossego dos pastos,
Pela exactidão das rosas, pela Sabedoria,
Pelas pérolas que gotejam dos olhos dos amantes,
Pelos prodígios que são verdadeiros nos sonhos,
Pelo amor, pela liberdade, pelas coisas radiantes,
Pelos aromas maduros de suaves outonos,
Pela futura manhã dos grandes transparentes,
Pelas entranhas maternas e fecundas da terra,
Pelas lágrimas das mães a quem nuvens sangrentas
Arrebatam os filhos para a torpeza da guerra,
Eu te conjuro ó paz, eu te invoco ó benigna,
Ó Santa, ó talismã contra a indústria feroz.
Com tuas mãos que abatem as bandeiras da ira,
Com o teu esconjuro da bomba e do algoz,
Abre as portas da História,
deixa passar a Vida!

Natália Correia

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

POMBA BRANCA!!




Pomba branca,Pomba branca
voa,voa e voa sem parar!
leva-lhe essa linda rosa
e trás-me de volta
o brilho do seu olhar!



O olhar que eu conheci       
Nunca o vou esquecer                   
mas só tu, pomba branca
o podes e deves saber...


VOTOS DE UMA BOA SEMANA


Betinha Correia 

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Perdida Esperança...


FOTOGRAFIA DA NET


Soneto da Perdida Esperança
Perdi o bonde e a esperança. 
Volto pálido para casa. 
A rua é inútil e nenhum auto 
passaria sobre meu corpo. 

Vou subir a ladeira lenta 
em que os caminhos se fundem. 
Todos eles conduzem ao 
princípio do drama e da flora. 

Não sei se estou sofrendo 
ou se é alguém que se diverte 
por que não? na noite escassa 

com um insolúvel flautim. 
Entretanto há muito tempo 
nós gritamos: sim! ao eterno.

Carlos Drummond de Andrade

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

NÃO SEI TEU NOME!!!


NÃO SEI TEU NOME

Joaquim Monteiro



Escrevo no tronco das árvores o teu nome
Abstracto, por não te saber soletrar
Mas também, para que serve o teu nome
Se te trato por Amor. Não será isso supremo?
Escrevo teu nome, para que a seiva te percorra
Numa presença constante e iluminada
Para que o tempo se desenvolva na clorofila de teus olhos
Nada mais conta, se não, esta necessidade de te amar.

De te chamar mar, inundando minha boca de sal
De te chamar barco, navegando a minha pele
Chamar-te Sol quando meus dias são mais negros que breu
Dizer-te lua, quando teu corpo é mais luminoso que as estrelas.
Que importa que não saiba dizer teu nome
Aquele por quem te identifica o mundo
E te deixa no louco anonimato dos dias.

O teu nome está em mim e eu permaneço nele
Tudo se reduz á palavra inventada em cada instante
Em cada esquina de teus lugares recônditos
Quando trocamos de lábios, sempre que me dizes
Que os nardos que plantaste no meu corpo
Têm o aroma das imprevisíveis montanhas.

Sei-te amor, pelas frondosas tílias que me cobrem
Aquelas doces tílias imutáveis
Que na fragrância de teus seios, repousam leves
Adormecendo meu espírito na beleza que lhes dás.

Amo-te mais que as nuvens a própria água
E pela cor dos teus mamilos, sei, qual
A luz que de mim te chega.
Sempre que me ausento, em mim se esconde,
A doce melodia de teus murmúrios.
Basta-me esse falar nos meus silêncios
Para cantar-te em todas as manhãs do mundo.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

FELIZ ANO NOVO PARA OS QUATRO CANTOS DO MUNDO

Hoje terminamos mais um ano, foi um ano de muitas realizações,
alegrias e tristezas, mas se chegamos até aqui é porque mesmo com todas
as dificuldades que a vida nos apresentou fomos capazes de tudo superar
e com elas aprendemos muito e principalmente crescemos interiormente.

Mas nós que hoje estamos aqui perante esta passagem maravilhosa
deixamos que junto a ela nos possamos  despedir ,de todas as nossas tristezas,
derrotas, desânimos, dores , lágrimas e tudo aquilo que nos fêz sofrer
e que fazemos questão de esquecer , pois, ninguém vive do passado.

Vamos sim acreditar que agora é tudo novo e a nossa vida também,
tudo será diferente para melhor,muito melhor porque somos nós
que dizemos o sim e o não em nossas vidas e são estas duas
palavrinhas que escrevem o nosso destino.

Portanto pensemos bem antes de usá-las. Vamos acreditar, vamos ter fé
e é claro vamos também fazer por onde para que tudo isso se reverta
em muita saúde, paz, felicidade, prosperidade, fraternidade e amor,
muito amor. Para os nossos filhos, familiares e amigos.

domingo, 16 de dezembro de 2012

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

IMAGEM DA NET


Alma minha gentil, que te partiste
Tão cedo desta vida descontente,
Repousa lá no Céu eternamente,
E viva eu cá na terra sempre triste.

Se lá no assento Etéreo, onde subiste,
Memória desta vida se consente,
Não te esqueças daquele amor ardente,
Que já nos olhos meus tão puro viste.

E se vires que pode merecer-te
Algũa cousa a dor que me ficou
Da mágoa, sem remédio, de perder-te,

Roga a Deus, que teus anos encurtou,
Que tão cedo de cá me leve a ver-te,
Quão cedo de meus olhos te levou.

Luís Vaz de Camões, in "Sonetos"

sábado, 8 de dezembro de 2012

imagem da NET
Tu ensinaste-me a fazer uma casa: 
com as mãos e os beijos.
Eu morei em ti e em ti meus versos
procuraram voz e abrigo.
E em ti guardei meu fogo e meu desejo.
Construí a minha casa.
Porém não sei já das tuas mãos.
Os teus lábios perderam-se
entre palavras duras e precisas
que tornaram a tua boca fria
e a minha boca triste como
um cemitério de beijos.

Mas recordo a sede unindo as nossas bocas
mordendo o fruto das manhãs proibidas
quando as nossas mãos surgiam por detrás
de tudo para saudar o vento.

E vejo teu corpo perfumando a erva
e os teus cabelos soltando revoadas de pássaros
que agora se recolhem, quando a noite se move,
nesta casa de versos onde guardo o teu nome."

Joaquim Pessoa, in 'Os Olhos de Isa'

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Há palavras que nos beijam

IMAGEM DE HAMILTON
Há palavras que nos beijam

Alexandre O'Neill

Há palavras que nos beijam
Como se tivessem boca,
Palavras de amor, de esperança,
De imenso amor, de esperança louca.
Palavras nuas que beijas
Quando a noite perde o rosto,
Palavras que se recusam
Aos muros do teu desgosto.
De repente coloridas
Entre palavras sem cor,
Esperadas, inesperadas
Como a poesia ou o amor.
(O nome de quem se ama
Letra a letra revelado
No mármore distraído,
No papel abandonado)
Palavras que nos transportam
Aonde a noite é mais forte,
Ao silêncio dos amantes

domingo, 2 de dezembro de 2012

O Caminho da Vida

UMA ÓPTIMA SEMANA

Adicionar legenda

O Caminho da Vida

O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém nos extraviamos.

A cobiça envenou a alma dos homens... levantou no mundo as muralhas do ódios... e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e morticínios.

Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria.

Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco.

Mais do que de máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido.

(O Último discurso, do filme O Grande Ditador)
Charles Chaplin

sábado, 1 de dezembro de 2012

Zeca Afonso - Filhos da Madrugada


(Coluna de opinião do Semanário Expresso) Nicolau Santos

Senhor Primeiro-ministro, depois das medidas que anunciou sinto uma força a crescer-me nos dedos e uma raiva a nascer-me nos dentes. Também eu, senhor Primeiro-ministro. Só me apetece rugir!…
O que o Senhor fez, foi um Roubo! Um Roubo descarado à classe média, no alto da sua impunidade política! Por isso, um duplo roubo: pelo crime em si e pela indecorosa impunidade de que se revestiu. E, ainda pior: Vossa Excelência matou o País!

Invoca Sua Sumidade, que as medidas são suas, mas o déficite é do Sócrates! Só os tolos caem na esparrela desse argumento.

O déficite já vem do tempo de Cavaco Silva, quando, como bom aluno que foi, nos anos 80, a mando dos donos da Europa, decidiu, a troco de 700 milhões de contos anuais, acabar com as Pescas, a Agricultura e a Industria. Farisaicamente, Bruxelas pagava então, aos pescadores para não pescarem e aos agricultores para não cultivarem. O resultado, foi uma total dependência alimentar, uma decadência industrial e investimentos faraónicos no cimento e no alcatrão. Bens não transaccionáveis, que significaram o êxodo rural para o litoral, corrupção larvar e uma classe de novos muitíssimo-ricos. Toda esta tragédia, que mergulhou um País numa espiral deficitária, acabou, fragorosamente, com Sócrates. O déficite é de toda esta gente, que hoje vive gozando as delícias das suas malfeitorias.

E você é o herdeiro e o filho predilecto de todos estes que você, agora, hipocritamente, quer pôr no banco dos réus?
Mas o Senhor também é responsável por esta crise. Tem as suas asas crivadas pelo chumbo da sua própria espingarda. Porque deitou abaixo o PEC4, de má memória, dando asas aos abutres financeiros para inflacionarem a dívida para valores insuportáveis e porque invocou como motivo para tal chumbo, o carácter excessivo dessas medidas. Prometeu, entretanto, não subir os impostos. Depois, já no poder, anunciou como excepcional, o corte no subsídio de Natal. Agora, isto! Ou seja, de mentira em mentira, até a este colossal embuste, que é o Orçamento Geral do Estado.

Diz Vossa Eminência que não tinha outra saída. Ou seja, todas as soluções passam pelo ataque ao Trabalho e pela defesa do Capital Financeiro. Outro embuste. Já se sabia no que resultaram estas mesmas medidas na Grécia: no desemprego, na recessão e num déficite ainda maior. Pois o senhor, incauto e ignorante, não se importou de importar tão assassina cartilha. Sem Economia, não há Finanças, deveria saber o Senhor. Com ainda menos Economia (a recessão atingirá valores perto do 5% em 2012), com muito mais falências e com o desemprego a atingir o colossal valor de 20%, onde vai Sua Sabedoria buscar receitas para corrigir o déficite? Com a banca descapitalizada (para onde foram os biliões do BPN?), como traçará linhas de crédito para as pequenas e médias empresas, responsáveis por 90% do desemprego? 

O Senhor burlou-nos e espoliou-nos. Teve a admirável coragem de sacar aos indefesos dos trabalhadores, com a esfarrapada desculpa de não ter outra hipótese. E há tantas! Dou-lhe um exemplo: o Metro do Porto.
Tem um prejuízo de 3.500 milhões de euros, é todo à superfície e tem uma oferta 400 vezes (!!!) superior à procura. Tudo alinhavado à medida de uns tantos autarcas, embandeirados por Valentim Loureiro.

Outro exemplo: as parcerias público-privadas, grande sugadouro das finanças públicas.

Outro exemplo: Dizem os estudos que, se V. Ex.ª cortasse na mesma percentagem, os rendimentos das 10 maiores fortunas de Portugal, ficaríamos aliviadinhos de todo, desta canga deficitária. Até porque foram elas, as grandes beneficiárias desta orgia grega que nos tramou. 

Estaria horas, a desfiar exemplos e Você não gastou um minuto em pensar em deslocar-se a Bruxelas, para dilatar no tempo, as gravosas medidas que anunciou, para Salvar Portugal !

Diz Boaventura de Sousa Santos que o Senhor Primeiro-ministro é um homem sem experiência, sem ideias e sem substrato académico para tais andanças. Concordo! 
Como não sabe, pretende ser um bom aluno dos mandantes da Europa, esperando deles, compreensão e consideração. Genuína ingenuidade! 
Com tudo isto, passou de bom aluno, para lacaio da senhora Merkel e do senhor Sarkhozy, quando precisávamos, não de um bom aluno, mas de um Mestre, de um Líder, com uma Ideia e um Projecto para Portugal. 

O Senhor, ao desistir da Economia, desistiu de Portugal! Foi o coveiro da nossa independência. Hoje, é, apenas, o Gauleiter de Berlim.
Demita-se, senhor primeiro-ministro, antes que seja o Povo a demiti-lo.
SONI.M POMPY

UM BELÍSSIMO FIM DE SEMANA!





As fontes

Sophia de Mello B. Andresen


"Um dia quebrarei todas as pontes
Que ligam o meu ser, vivo e total,
À agitação do mundo do irreal,
E calma subirei até às fontes

Irei até às fontes onde mora
A plenitude, o límpido esplendor
Que me foi prometido em cada hora,
E na face incompleta do amor

Irei beber a luz e o amanhecer,
Irei beber a voz dessa promessa
Que às vezes como um voo me atravessa,
E nela cumprirei todo o meu ser."
 

quinta-feira, 29 de novembro de 2012


Soneto XVII

Pablo Neruda 

Não te amo como se fosses uma rosa ou um topázio
Ou a flecha de cravos, que o fogo lança.
Amo-te como certas coisas escuras devem ser amadas,
Em segredo, entre a sombra e a alma.

Amo-te como a planta que não floresce e carrega,
Escondida dentro de si, a luz de todas as flores.
E, graças ao teu amor, escura no meu corpo
Vive a densa fragrância que cresce da terra.

Amo-te sem saber como ou quando ou de onde.
Amo-te tal como és, sem complexos nem orgulhos.
Amo-te assim porque não sei outro caminho além deste

Onde não existo eu nem tu.
Tão perto que a tua mão no meu peito é a minha mão.
Tão perto que, quando fechas os olhos, adormeço

terça-feira, 27 de novembro de 2012





Eu cantarei de amor tão docemente
por Luís Vaz de Camões



Eu cantarei de amor tão docemente,
Por uns termos em si tão concertados,
Que dous mil acidentes namorados
Faça sentir ao peito que não sente.

Farei que o amor a todos avivente,
Pintando mil segredos delicados,
Brandas iras, suspiros magoados,
Temerosa ousadia e pena ausente.

Também, Senhora, do desprezo honesto
De vossa vista branda e rigorosa,
Contentar-me-ei dizendo a menor parte.

Porém, para cantar de vosso gesto
A composição alta e milagrosa,
Aqui falta saber, engenho e arte.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

O Guardador de Rebanhos(Fernando Pessoa)

                           
  CONTINUAÇÃO DE UMA BOA SEMANA E ATE BREVE!

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

BRINQUEI TANTO, MAS TANTO COM ESTES CARTÕESs..E...E...

UMA HOMENAGEM AQUELES QUE EM VIDA TANTO ME AMARAM!

"Hoje é mesmo um desabafo"

È um texto verídico e elaborado por mim.
Por vezes as emoçoes saõ tão intensas
que permitem  escrever com uma sensação,assim...
Encontrei o desenho,acima ilustrado.
Sem dúvida que somos uma máquina humana feita de emoções!
Numa fração de segundos,senti um recuo á minha infãncia em sucessivas recordaçoes!
O meu coração disparou e  lembranças lindas afloram-se  a um  estado de emoções!
Recordei com saudade,quando minha mãe me dava dez tostões.
Saía correndo á loja do Senhor David e comprava  a cartolina.
Brinquei tanto,mas tanto com estes cartoes em que tínhamos de  recortar a boneca e a roupinha adequada!
Seriam os jogos didáticos da época?
Talvez?
Não sei!
Após concluir os "deveres" da escola,ao serão,minha mãe sentava-se junto de mim.

DIZIA-ME ENTÃO:
-Toma atençaõ.
Com todo o cuidado,ensinava-me a recortar a roupinha e aplicar na boneca.
Era um delirio!
Levava para a escola,porque,infelizmente nem todos podiam ter esse luxo!
Rápidamente eu dava ás amigas(sempre fui assim,não sou mais nem menos,sou simplesmente EU!)
No dia seguinte,valia-me o Sr.Silva o (carteiro).

A mãe era funcionaria dos CTTS.
O Sr Silva dizia:
-Vá lá, hoje sou eu que ofereço uma folha á sua miuda!
Os meus olhos deviam ter um brilho tão intenso,que minha mãe sorria e dizia:
-Ó Sr.Silva, estraga-me a MINHA FILHA  com mimos!
Aos poucos, fui aprendendo que nem tudo se pode dar,mesmo que seja contra a  nossa vontade.
Assim, deste modo educativo,meus pais e família transmitiram-me a sua pobre e nobre sabedoria.
Hoje já chorei,já ri e já guardei mais este momento lindo bem lá no fundo do meu 

"EU"
Peço desculpa a quem me possa ler,porque eu, não tenho talento nem de escritora ou poetisa!
Eu escrevi  num"reconhecimento"e o  meu  coração


"O SUBLINHOU."

Betinha Correia

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

 



Imagem da net

De: Fernando Moreno

A MALETA

Um homem morreu.
Ao se dar conta, viu que Deus se aproximava e tinha uma maleta com Ele.

E Deus disse:
- Bem, filho, hora de irmos.

O homem assombrado perguntou:
- Já? Tão rápido? Eu tinha muitos planos...
- Sinto muito, mas é o momento de sua partida.
- O que tem na maleta? Perguntou o homem.

E Deus respondeu:
- Os seus pertences!!!
- Meus pertences? Minhas coisas, minha roupa, meu dinheiro?

Deus respondeu:
- Esses nunca foram seus, eram da terra.
- Então são as minhas recordações?
- Elas nunca foram suas, elas eram do tempo.
- Meus talentos?
- Esses não pertenciam a você, eram das circunstâncias.
- Então são meus amigos, meus familiares?
- Sinto muito, eles nunca pertenceram a você, eles eram do caminho.
- Minha mulher e meus filhos?
- Eles nunca lhe pertenceram, eram de seu coração.
- É o meu corpo.
- Nunca foi seu, ele era do pó.
- Então é a minha alma.
- Não! Essa é minha.

Então, o homem cheio de medo, tomou a maleta de Deus e ao abri-la se deu conta de que estava vazia... Com uma lágrima de desamparo brotando em seus olhos, o homem disse:
- Nunca tive nada?
- É assim, cada um dos momentos que você viveu foram seus. A vida é só um momento... Um momento só seu! Por isso, enquanto estiver no tempo, desfrute-o em sua totalidade. Que nada do que você acredita que lhe pertence o detenha... Viva o agora! Viva sua vida! E não se esqueça de SER FELIZ, é o único que realmente vale a pena! As coisas materiais e todo o resto pelo que você luta fica aqui. VOCÊ NÃO LEVA NADA! Valorize àqueles que valorizam você, não perca tempo com alguém que não tem tempo para você

sábado, 20 de outubro de 2012

NAO DIGAS NADA...

Imagem da Net
 
Não digas nada!
Nem mesmo a verdade
Há tanta suavidade em nada se dizer
E tudo se entender —
Tudo metade
De sentir e de ver...
Não digas nada
Deixa esquecer

Talvez que amanhã
Em outra paisagem
Digas que foi vã
Toda essa viagem
Até onde quis
Ser quem me agrada...
Mas ali fui feliz
Não digas nada.

Fernando Pessoa, in "Cancioneiro
Não digas nada!

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

CANÇÃO DE OUTONO.

Minha imagem.
CANÇÃO DE OUTONO

Perdoa-me, folha seca,

não posso cuidar de ti.
Vim para amar neste mundo,
e até do amor me perdi.

De que serviu tecer flores

pelas areias do chão,
se havia gente dormindo
sobre o própro coração?

E não pude levantá-la!

Choro pelo que não fiz.
E pela minha fraqueza
é que sou triste e infeliz.
Perdoa-me, folha seca!
Meus olhos sem força estão
velando e rogando áqueles
que não se levantarão...

Tu és a folha de outono

voante pelo jardim.
Deixo-te a minha saudade
- a melhor parte de mim.
Certa de que tudo é vão.
Que tudo é menos que o vento,
menos que as folhas do chão...
Cecília Meireles

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

A LEITURA É....

imagem da net
A leitura é uma fonte inesgotável de prazer mas por incrível que pareça, a quase totalidade, não sente esta sede
Carlos Drummond de Andrade

sábado, 6 de outubro de 2012

SONETO DE AMOR...



Soneto de amor 
 Não me peças palavras, nem baladas,
Nem expressões, nem alma... 

Abre-me o seio,
Deixa cair as pálpebras pesadas,
E entre os seios me apertes sem receio.

Na tua boca sob a minha, ao meio,
Nossas línguas se busquem, desvairadas...
E que os meus flancos nus vibrem no enleio
Das tuas pernas ágeis e delgadas.

E em duas bocas uma língua..., — unidos,
Nós trocaremos beijos e gemidos,
Sentindo o nosso sangue misturar-se.

Depois... — abre os teus olhos, minha amada!
Enterra-os bem nos meus; não digas nada...
Deixa a Vida exprimir-se sem disfarce!

José Régio, in “Antologia Pessoal da Poesia Portuguesa, Eugénio de Andrade”

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

ESCREVO COM SEI!!



IMAGEM DA NET
                                                        A 5 DE OUTUBRO DO ANO 1910
FOI A IMPLANTAÇÃO DA REPÚCLICA EM PORTUGAL.

Não sou Poetisa  nem Escritora
e muito menos Doutora.
Não sei escrever palavras bonitas
sou como sou e quando as escrevo,
são minhas E muito sentidas.
Sou uma habitante do meu País
que  continua a aprender
para saber, o que pode dizer.
Somos um País onde a palavra
"Descobrimentos"foi o nosso lema
Portugal,tendo dado
novos mundos ao "Mundo"
hoje, esse Mundo está de costas voltadas
e   Portugal numa LENTA  AGONIA.
Da  implantação da república
O avô,contava  aos netos  com conhecimento de causa,
signficado da morte do rei D.Carlos...e...e...
das lutas que há época foram envolvidas
dando origem a um novo sistema.
Não havia internet!
Eram estudos lidos e relidos  nos manuais da 
         "Historia de Portugal".
Sem dúvida, a  caminhada na vida, repete-se, sempre e sempre!



"UM DESABAFO"

HOJE 5 de OUTUBRO  
OS MEUS PAIS FARIAM ANOS DE CASADOS.
JÁ NAO ESTÃO COMIGO,MAS EU ESTOU NO MEIO DELES
ALGURES, NUMA ESTRÊLA,ASSIM O QUERO PENSAR!
Fotografia de:Eduardo Correia
BOM FIM DE SEMANA

Betinha Correia

sábado, 29 de setembro de 2012

Da verdade do amor

Da verdade do amor se meditam
relatos de viagens confissões
e sempre excede a vida
esse segredo que tanto desdém
guarda de ser dito

pouco importa em quantas derrotas
te lançou
as dores os naufrágios escondidos
com eles aprendeste a navegação
dos oceanos gelados

não se deve explicar demasiado cedo
atrás das coisas
o seu brilho cresce
sem rumor

José Tolentino Mendonça, in "Baldios"

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

UMA ÓPTIMA SEMANA!


Poema de Sophia de Mello Breyner Andresen

Se tanto me dói que as coisas passem
É porque cada instante em mim foi vivo
Na busca de um bem definitivo
Em que as coisas de Amor se eternizassem

Sophia de Mello Breyner Andresen

domingo, 16 de setembro de 2012

O TANGO DAS NINFAS DO MAR EGEU






O TANGO DAS NINFAS DO MAR EGEU

Numa noite de luar,
vi-me de repente
na Caverna de Nereu
resgatado pelas Ninfas
que dormem e dançam
no mar Egeu.

E bailaram, bailaram
a noite inteira, numa dança
de festa do meu resgate
àquele verde Mar.

Tomou-me uma ninfa,
anjo do céu,
meu corpo envolveu,
colando-se ao meu.

Seus dedos fechados
entrelaçaram os meus;
seus lábios cresceram
unindo-se aos meus.

Dançámos um tango
no seio das ninfas,
que se juntaram ao meu.

E bailámos…bailámos!...
Soltei um gemido!...
O tango parou;
as ninfas saltaram
salvou-me Nereu.

© Acácio Costa
Pintura: Vaaleria Corvino

 UM BOM DOMINGO E UMA ÓPTIMA SEAMNA

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Sem os teus passos...



Sem os teus os  passos
custa-me tanto caminhar e, 
no meu compasso,
a tua imagem acelera o ritmo do que observo,
tornando secundário
tudo o que vejo.

Mesmo desaparecida,
o espaço da tua imagem viaja comigo
e nada o preenche,
porque, sem ti,
não há caminhar que chegue a lugar nenhum.

Sem os teus passos ao lado dos meus,
há em mim
uma fraqueza com as pontadas
das coisas escusadas,
porque é a ti que eu quero, toda,
ou até um bocadinho mais que toda, inescusável.

Poema: Nilson Barcelli


PS.De um amigo, com um "A" bem grande.